O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação
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sábado, maio 16, 2009
Actuaçao Escrita?

Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever.
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PEDRO OOM
Francisco Pedro dos Santos Oom do Vale, mais conhecido por Pedro Oom, nasceu em Santarém, em 1926.
Poeta, gladiador e acrobata circense, inicialmente ligado ao neo-realismo, com Mário Cesariny, Mário Henrique Leiria e António Maria Lisboa, fundou em Portugal, o movimento surrealista português. Queremos dizer antes refundou, porque o outro anterior com António Pedro e as gentes do surrealismo esteta e literário, andava a fazer-se como tal lá pelas margens do Sena, nem o Breton conseguiu perceber a tramóia.
A sua obra encontrava-se dispersa por revistas e documentos de intervenção até ser reunida postumamente, em 1980, no livro "Actuação Escrita" editado pela & Etc publicação dirigida por Victor Silva Tavares, também ele surrealista, ainda que na sua face marginal de trazer por casa, ele que, ao lado de Herminio Monteiro, foi censor de outros surrealistas, o Nicolau Saião só para dar um exemplo. Anarquismo de trazer por casa, o dele claro. De tão anarca quase se baba quando vai ao progama da RTP-2. Felizmente que a audiência é pouca.
O Pedro morreu em Lisboa, após comoção súbita em 25 de Abril de 1974. Lutador anti-fascista, anti-burgues e também anti-estalinista, Pedro Oom não resistiu à enorme euforia de ver cair um regime contra o qual tanto lutara inclusive por dentro, ele que trabalhava então no INE.(1)
Nota 1: A este propósito recordo-me, uns meses antes do 25 de Abril, fui ao seu local de trabalho. ali perto do Técnico, buscar um opúsculo com algumas estatísticas sobre a realidade portuguesa do antigo regime (afinal ainda estamos estatísticamente, como na altura estávamos). É verdade, fizeram-se mais estradas e sobretudo temos mais merda para respirar nos hospitais do país.
Infelizmente e por razões que só ao actual partido no poder, aos seus grupos da juventude e nacional-socialistas bem como aos seus "rivais" do assim dito, Partido Social Democrata, bem como ao partido estalinista ele próprio bem acomodado ao poder dominante, este documento perdeu-se definitivamente. Pelo menos em relação à edição que o próprio P.O. me facultou para efeitos de "divulgação".
Obra principal:
Actuação Escrita (1980)
Para conhecer melhor a obra de Pedro Oom. Nota: O link obviamente não funciona. Ai se fosse a Estela ou o Pessoa...
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Carta a Mário Henrique Leiria (2)

Querido Mário H.Leiria
Em 1952 numa cartinha dirigida a Carlos Eurico da Costa, um dos nossos mais "anónimos" resistentes (de tanto se falar nele e em António José Forte, Ernesto Sampaio, a Fernanda Alves, a Luísa Neto Jorge e felizmente mais uma dúzia de "alucinados", tendemos naturalmente também nós a esquecer os verdadeiros olvidados - Nicolau Saião, o seu filho João, e sobretudo a Estela Guedes, essa divindade paleo-surrealista muito ao estilo de cá, a mesa e a sobremesa cheia, a nossa Nikki de São Phalo), o tempo o demonstrou HOJE, até o chamado poder local, e só para falar deste, nos edita e expôe às claras, mnifesta e NOMEADAMENTE quando no dia-a-dia preferimos aquele género de Surrealismo que é igual a outras academias da arte e da literatura, tu Mário Henrique Leiria escreveste que as coisas não estavam bem e que, do ponto de vista organizativo e revolucionário, pior ainda ("...nada de verdeiramente revolucionário construímos...").
Sei que não acreditas no sobrenatural mas eu ainda menos. São coisas que me ficaram da infância, histórias de vampiros e monstros que me atormentavam de noite e se punham a dormir sobre os meus pés, com a cabeça do tipo "fly me to the moon", a boca gigantesca do tamanho de um ministério, sobre os meus olhos de menino adormecidos. Seriam os meus desejos já então condicionados? Freud teria razão ao referir que o problema era da minha libido cosntrangida? Teria sido o doutrinador que me castigava diariamente até ao sangue, com violentas reguadas nas mãos e até na cabeça?
Quando finalmente acordava ainda lá estava no asilo de órfãos, as grades por detrás de mim, nas costas dos pequenos mamíferos que me róiam as roelhas e as deixavam com um sabor a doce. Chamava-se o Maria Pia e era assim também piamente que os meus genitais de criança iam evoluindo, primeiro o menino, um pequeníssimo pénis de fazer corar as virgens, depois o rapaz, e mais tarde o homem, um caralho ainda assim sem chegar aos calcanhares do caralho que ocupa o Palácio de Belém, enorme como o têm todos os rurais que vêm para Lisboa para tomar o Poder por tempo indefinido. Exibem-no na capital da Ue e é lá que sustentam as razões do país no contexto europeu. Sabe-se.
Mas era assim a minha maneira de me libertar. Fui hoje a um desses psiquatras modernos e ele disse-me que a não ter algum cuidado com a minha psico-patologia (como sucede com as hordas da fascista islâmica), ainda colocaria uma bomba no sapato de algum comissário europeu. E ele tem razão, apetece-me a mim C.M. ao menos pôr uma coisa explosiva num deles, no estojo de dentes ou na malinha tecnológica que eles usam frequntemente. Obviamente caseira (a bomba), sujeita portanto às contingências do acaso.
(continua evidentemente)
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sexta-feira, maio 15, 2009
Carta a Mário Henrique Leiria (1)


Numa retrete pública, café Chiado, Lisboa, ano de 1951:
Aqui
cagou
Pio XI,
Rei dos Ciganos.
Antes que me venham lembrar isso, sim, é verdade todos já o sabíamos - Mário Henrique Leiria já não faz jardinagem e resolveu sair da reunião surrealista, não tinha nada para doar e tinha mais para doer, ele que se agarrou à cauda de um cometa qualquer e definitivamente partiu para bem longe de nós.
Mas o que é que somos nós Hoje?
A minha carta ao surrealista e antigo companheiro Mário Henrique Leiria, poeta da escrita mas sobretudo na Vida, pretende abordar um questão fundamental que atravessa muitos dos espíritos surrealistas realmente preocupados e em rebeldia contra o status quo que, tal como noutras frentes se instalou no Movimento Surrealista Internacional, pese embora algumas intenções de enorme generosidade e dedicação quase explosivas. O Surrealismo é, não apenas libertário como revolucionário. Interessa-lhe como meio principal para derrubar os regimes ditatoriais, fascistas ou ditos democráticos, a insurreição da armada (A faca nos dentes, como escreveu um dia António José Forte), mas antes disso um estado permanente de subversão e rebeldia totais, a conspiração anti-católica, anti-islâmica, anti-burguesa e contra os sistemas sindicais e partidários vigentes de aqui e de além-mar, nalguns casos mais reaccionários do que o sistema burguês como o conhecíamos no século XIX.
Et voilá.
(continua)
Mais informação biográfica sobre Mário Henrique Leiria em Vidas Lusófonas
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domingo, maio 03, 2009
Death of a Surrealist: Franklin Rosemont, R.I.F.

Dear Surrealist Friends and Companions Everywhere and particularly in Chicago
Some of us in Portugal don´t had the chance and the fortune of knowing personally Franklin La Rose du Monde), but we knew HIM deeply by his texts and graphics and mostly through the voice of Mario Cesariny unfortunately already gone to Arcturus.
We can´t speak on behalf of the other portuguese surrealists as we simply do not act as a group since the early 50s, but in my name and Ana Santos (my wife and also a fellow surrealist that helped us to organize so many surrealist events here in Portugal with the colaboration of Mario, Franklin, Edouard and so many others), we want to express our sadness and condolences to his wife Penelope and the rest of close family and friends.
Thank you Franklin for all you have done for us and for your hard-working fight for Freedom and Love.
Carlos Martins
Ana Santos
Sesimbra, Portugal
May 3, 2009 (1)
We sent this email to the Chicago Group and to other surrealist groups and individuals, after have received an email of the Greek Surrealist Group. We really sorry for the delay of this declaration but we truly ignored this sad event already occured in April 12.
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sexta-feira, maio 01, 2009
Neste dia as coisas podiam mudar...
Mas os pobres, ah os pobres!
(1) Trata-se obviamente de uma expressão ficionada.
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