O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação
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domingo, julho 20, 2008
Os Colhões do Padre Inácio
Cá em casa, o Portugal a leste do Cabo da Roca, para espanto daqueles que preferiam atirar sobre o regime fascista, Breton foi sempre atacado, sobretudo porque o Breton não pactuava com o oportunismo e ainda por cima um oportunismo pinto ou azevedo. Breton tinha (como todos nós), as suas debilidades, mas o que nele nos ultrapassava era a Poesia e a Verticalidade. Mesmo quando falhava era mais vertical do que os de cá. Nunca houve uma Nadja aqui. E a mais próxima do que foi a Nadja de Breton, estaria certamente enterrada nos Prazeres, tão distraidos andavam os surrealistas a condenar Breton pelas exclusões, quando excluir era o que faziam os surrealistas portugueses todos os dias, escondendo-se até dos jovens que lhes apareciam para conversar, apenas para conversar, mostrar uns quadritos, imagine-se o crime de lesa-magister.
A maior parte dos que aqui se consideraram surrealistas eram anti-Breton (caro Guy Ducornet, mete lá essa em adenda no "Parasitas do Surrealismo". Aqui houve muitos assim. Não, não eram académicos ou universitários. Eram ou consisederavam-se a si memsos, surrealistas.
Aqueles surrealistas que pintam uma lata de sardinhas e vendem-na por 1 milhão de euros, só são surrealistas porque o país a que pertencem não tem uma opinião pública esclarecida. Todos os que alguma vez pintaram mais do que uma lata de sardinhas sabem o que representa pintar. Expôr as vísceras, cortar ao meio o cortex e o cortez cerebral, mesmo uma mancha de tinta já é uma coisa séria.
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quinta-feira, julho 17, 2008
O verdadeiro incêndio de Chicago
Somos pois por um incêndio geral do Capitalismo selvagem, o capitalismo das grandes corporações (trusts) e o ataque aos "maestros" dos mercados de capitais, os quais têm vindo a aumentar de apetite e voracidade no que respeita à especulação em torno agora de produtos básicos (cereais, combustíveis, e outros).
Não somos assim tanto contra o capitalismo da livre iniciativa e da livre troca e transacção de produtos, e somos muito mais contra o chamado socialismo de gaveta, um socialismo que se esconde atrás do capitalismo, que o protege e de que é servo obediente controlando assim enormes massas populacionais (muitas vezes através do chamado poder local - entre outros o poder das camionetas colectivas para ir às urnas nos dias de eleições, poder esse que não é mais do que uma das correntes do poder central e para dizer a verdade toda, do poder das grandes multinacionais).
Partir os dentes a esse capitalismo selvagem e especulativo é não apenas impôr impostos extraordinários, como propôe aqui o PCP estalinista e ao mesmo tempo pequeno-burguês, como apelar à mobilização geral contra os interesses das grandes corporações, atacando todos os seus pontos nevrálgicos, isto é, incendiando-os. Todas as revoluções são isso mesmo, até as mais pacíficas como foi o 25 de Abril de 1974 que todos, menos os fascistóides e os pides, festejaram nas ruas.
É aí que está também a chamada Revolução Surrealista, não um Surrealismo ao serviço de revoluções de partidos e sindicatos (revoluções de pacotinha e que não reformam i sistema a não ser para dar datchas e dólares aos seus aparatchiks), mas um surrealismo libertário que está onde deve estar, nas galerias, nas salas de colectividade popular e nos eventos onde se exalta o Sonho e a Imaginação, mas também nas ruas ao lado e com outros "incendiários".
Esse Surrealismo que está contra as pessoas e contra o mundo (a inspiração deve ser islamita e católica inquisitorial), em vez de lutar contra os grandes interesses, que vá para o caralho! Se querem Maomé que se ajoelhem e rezem virados a Meca mas não nos chateiem com o vosso surrealismo anti-americano e colectivizante.
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quinta-feira, julho 10, 2008
Segurança do Estado
Ainda há minutos um sujeitinho não quis identificar-se mas queria a todo o custo reunir num café do Porto para saber "coisas" sobre a minha (nossa) actividade. O pretexto bufão era o de pretender à partida que lhe fizessem a dramartugia de uns textos. Coisa que daria para várias largadas de touros em Barrancos e umas quantas fodas num bordel dos arredores. Bah!
Quando lhe perguntei porém qual a origem limitou-se a responder-me que só mesmo me diria quando nos encontrássemos, ele e ela, no tal cafézinho da capital nortenha.
Lá lhe fui dizendo que eu me identificava facilmente, não só pelo colarinho (aliás sujíssimo), como por umas quantas colagens de circunstância (coisas simples como alguns traques lançados do altíssimo lugar contra o regime anterior e o actual, viagens de cicumnavegação à volta do cérebro doente do sr. secretário de estado das obras públicas (aliás magríssimo como se sabe), alguns pisa-colhões ao dr. jardim gonçalves e equivalentes, carcinose dos vários candidatos ao governo e à oposição pois não há que discriminar nenhum, etc. Mas o bufo reagiu.
Voltou-se furioso e procurou amendrontar-me. "As gentes do Norte são honestas, ouviu?". Eu ouvi, claro. E disse-lhe "Mas a coisa aqui não é de honestidade, o senhor é um sujeito que transpira denúncia, que em vez de suor quando se irrita, isto é, quando é descoberto e depois se irrita por causa disso, começa a exalar um cheiro reconhecível em toda a parte. O senhor cheira a delação! Porque é que quer saber quem sou ou o que somos? E porque é que tem de reunir no cafezinho com ela, a menina do Norte e só então lhe vai dizer quem é e a quem pertence.
E depois ficou mudo e quedo, a bateria do telemóvel começou a faltar-lhe, o saldo do dito idem e pronto, foi-se embora.
Avisados os companheiros, o bufo tem agora que esperar novas instruções para atacar de novo.
Ora cá está, o surrealismo ainda em 2008!.
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terça-feira, julho 08, 2008
Na mesa de dissecação
Os patologistas, habituados à frieza dos números necrológicos, nem sequer notaram. E calmamente encaminharam-se para o café dos serviços.
Mas o cadáver continuou, foi atrás deles e sentou-se ao lado. Pediu o mesmo que eles e bebeu. Os dois sorriram para ele, não notaram a diferença e ele também não.
Mas o melhor foi quando os patologistas regressaram ao salão da necrologia. Não só não havia cadáver como era este que estava agora sobre eles, retirando-lhes as vísceras, catalogando as artérias.
Ao fundo acesa, a Antena-2 FM, a Clássica.
Com uma musiquinha do Marin Marais.
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Reportagens
RTFP, um anónimo sobre o pm português, julho 2008
Falava sobre a guerra como se estivesse dentro dela.
Repórter da CNN sobre a posição de Bush, Maio de 2007.
Era um socialista corrupto e contudo quando falava parecia-nos um jovem prior.
Crónica de adelino crespo, SIC, Setembro de 2006
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segunda-feira, julho 07, 2008
O Homem nunca existiu!
Encheu-se então de coragem, fechou os olhos e com os dentes afiados começou pelos pézinhos. Era já quase ao fim da tarde quando se voltou para o estômago e comeu-o também.
Ao fim do dia já se tinha devorado a si própria.
Os pais, naturalmente de comoção, também puseram termo à vida.
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