O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação
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sexta-feira, junho 27, 2008
A exposição surrealista em Coimbra, termina amanhã
Espaço curto para definir a importância de uma exposição que, apesar de algumas notas noticiosas em vários jornais e rádios portuguesas, passou, UMA VEZ MAIS, quase esquecida, se considerarmos o relevo propagandístico que se dá aos traques do Berardo e a outros capatazes da arte de ostentação (a que perdura afinal... embora por razões de sobrevivência pura e dura, digamos sempre o oposto. É que convém para não darmos o tiro final nas têmporas ou nos lançarmos em voo sobre a Almirante Reis enquanto cá em baixo alguns concidadões continuam bebendo imperiais meio mornas, indiferentemente).
Obrigado caro irmão de Indianapolis Miguel.
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sexta-feira, junho 20, 2008
Este leite está azedo...
O mínimo ente magnífico espelhando relâmpagos sobre mim, ah rir de tudo, e ter os... lavados e muitos os dentes brancos e à mostra...
o navio de espelhos que naufragou porque viu ao longe outro navio a naufragar..Full speed ahead, Mr. Parker, Full speed ahead!
(Colagem de textos a partir de poemas de Mário Cesariny, Luísa Neto Jorge e o "Yellow Submarine" com a voz única de Ringo Starr)
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quinta-feira, junho 19, 2008
O assassinato da selecção nacional
- Eram onze, diziam uns.
- Não! - Os que eu vi no último jogo eram 13 que é já em si um número de infortúnio, não admira pois que não tenham aparecido.
- Desculpe meu caro Doutor, mas eram 24 - gritou um doidinho saído das termas de Manteigas, a cabeça ainda a jorrar de um dos lados, água fervente, ferrosa. O doido contava que havia ainda um plano B.
Quando finalmente apareceram os representantes da lusitaneidade, já não eram jogadores, eram uma espécie de autómatos, perfilaram-se quando se ouviu o hino deles e depois veio um sujeito que começou a disparar ao acaso. E um a um foram caindo por terra. No relvado claro, emende-se.
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quarta-feira, junho 18, 2008
Poema de circunstância
Se tens impostos por pagar,
oh pai não hesites e liquida o fiscal.
Se tens fome e o telemóvel avariado
Pega num doido e fá-lo soldado.
Se a cona da Furtado quer dançar,
Dá-lhe a volta e dança,
Dança com o Durão, o Zapatero e a Merkel.
dança com todos do bordel de Bruxelas
e no fim dança contigo proprio
depois de encheres a pança.
(poema dedicado aos vários comentadores mediáticos que o país se orgulha de ter)
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A bandeira do jovem cadáver antecipado
- Não és da união? - perguntou um dos membros da massa.
- Por acaso sou, casei-me com comunhão de bens adquiridos e sou sócio de um clube de Leiria.
- Não chega - disseram. E desataram a dar pontapés no sujeito até o deixarem prostrado no chão. Depois subiram à estátua mais alta da cidade e puseram uma bandeira lá em cima, o rei deposto a segurar na dita, republicaníssima pois claro. Um dos festejantes, um rapazinho ainda, aplaudido pela arruaça que se avolumava junto ao monumento, resolveu soltar a mão que não segurava a bandeira e caiu estatelando-se lá em baixo. E a banda que fôra chamada para dar mais sonoridade ao momento não deixou de tocar o hino nacional. Até lhe deu mais volume.
Mas nesse mesmo dia a equipa perdeu e todos os seus membros foram visitar o jovem que soltara a mão da estátua. E o presidente também lá foi. E os deputados da nação valente e imortal.
O rapazinho ainda lá está na campa rasa que lhe deram. Coberto com a bandeira.
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O Surrealismo não é apolítico, é apartidário

Tal como referiram Pedro Oom, Mário Henrique Leiria, Cruzeiro Seixas e muitos outros, na primera fase do movimento surrealista em Portugal, também hoje o Surrealismo tem uma posição política e não é alheio ao que se passa no país e em especial no Mundo. O Surrealismo contudo é apartidário, isto é, não comunga em nenhuma capela de partido ou de interesse religioso ou corporativo. O que não significa que para os surrealistas lhes seja indiferente que esteja no Poder alguém que atenta mais ou de menos contra a liberdade ou que sustenta uma política de exploração dos trabalahdores assalariados, sejam eles de gravata ou fato de ganga.
Para os surrealistas não lhes é indiferente a luta dos camionistas e de outros sectores contra os aumentos dos combustíveis. E mais do que apoiar os camionistas, os surrealistas gostariam de ver alargado o protesto a todos os consumidores e em particular àqueles que se vêem mais atingidos com os aumentos dos produtos de consumo básico que são naturalmente afectados pela especulação do chamado "mercado livre" (que é sobretudo para escravizar e não para libertar), em torno do preço dos combustíveis e pela fatia pesadíssima que o Estado vai buscar ao mesmo.
Há naturalmente quem defenda o ataque às gasolineiras, lançando-lhes fogo para cima (cremos que algo já se passou de semelhante noutros países), e este acto "desesperado" seria certamente compreendido até por políticos que sempre defenderam no passado o direito à indignação e o diálogo com os grupos atacantes ("é preciso dialogar com eles!" diz muitas vezes Mário Soares), mas o consenso será para uma luta geral não contra as bombas em si mas sim contra os que detêm as mesmas, nomeadamente as grandes corporações (em Portugal a Galp, a Gelp, a Gilp, a Golp e até a menos citada, a Gulp), que são de facto as responsáveis pelos aumentos que se verificam.
As acções de fogo posto devem pois ser entendidas no sentido que os surrealistas sempre deram à acção revoltosa - bater forte na cabeça dos ditadores e dos "democratas" autoritários, sejam eles quais forem, derrubar ou agredir os poderes constituídos, fazer-lhes sentir que a liberdade para os cidadãos não é apenas a de lhes ser permitido votar de quatro em quatro anos.
O argumento dos safadistas que estão no Poder ou os apoiam, é o de que não temos alternativas. Mas temos. Se os cidadãos quiserem, se a revolta lhes explodir nas veias, as alternativas surgirão. E o que importa aqui é fazer vergar a arrogância dos vários poderes (em Bruxelas ou Portugal). E que os lucros das corporações baixem finalmente!
E um viva aos eleitores da Irlanda que disseram Não ao tal tratado de Bruxelas!
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quarta-feira, junho 11, 2008
Os pobres e o SAS (Serviço de Assistência Social)
Sem eles não lhes é possível caminhar até ao posto de assistência social mais próximo.
- "Os pés são obrigatórios. Sem os pés nada podemos fazer meu caro senhor. E com os pés deve trazer toda a documentação!" Isto dizia a amanuense do SAS usando a sua facies mais impenetrável.
O homem trazia uma caixinha que depositou no buraco do guichet. "Minha senhora", disse. "Estão aqui os meus pés, cortei-os ontem à noite e com sacrifício, como deverá compreender. Documentos é que não trago nenhuns".
A senhora virou-se para trás e de repente transmutou-se numa latrina do parque eduardo 7, onde um jovem placebo se injectava com água e sabão.
"Vou para o Hale-Bop", disse enquanto se desfazia em gordura de porco e excrementos.
"Preacher!" - gritámos ao longe. A cena parecia aquela da jovem adolescente a gritar no belo e perturbante filme de Clint Eastwood, "Pale Rider".
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segunda-feira, junho 09, 2008
Contribuições para o acordo ortográfico luso-angolano
VITALINO - empresário de sucesso, gestor de empresas relacionadas com o emprego precário, pseudónimo de vital moreira, ex-estalinista e mais tarde acérrimo defensor do neo-liberalismo socialista do governo de Sócrates (séc. XXI).
EDUARDINHO - pequena estatueta fálica com cerca de 20 cm, simbolizando o presidente de angola nos finais do séc. 20, finais do 21.
SOCRATINA - pequena dança comicieira, música de propaganda usada sobretudo em princípios do séc. 21. Tocada em comícios e sobretudo em conferências e lectures, para aproximar os fiéis que procuravam afastar-se. Tipo de canção grosseira cantada junto aos currais em certas zonas da província portuguesa, geralmente acompanhada com traques e depois de uma refeição pesada.
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As Radiografias da AMI
babuíno-God Mugabe, oh meu Deus de Kalahari! Assim.
O harbour do Edouard está cheio de contentores
O Edouard é angolano mas a cada praia que vai apanha na mão a Shell,
punhê-te-las...
e tem conta na Switzerland,
a pátria que não tem escarros nas ruas e esporra-se
mas só nos saquinhos plastificados,
compagnon de route de Geldorfs, as cadelas Jolie e Bonos
por adopção, pois então
é que os povos têm necessidade de comer a merda do mundo!
pior já cá temos nós, dizem-nos, lixeiras da quantica basca
e em especial l´amour fidéle da Comissão Europeia, esperneia o
Durão lá para os lados de Barroso,
Ó Virgem Santa de Calcutá.
Caca.
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sábado, junho 07, 2008
Os pobres e os desportos náuticos - I
Correm para o trabalho, esforçam-se por atingir o fim do mês sem dívidas (e sobretudo sem dúvidas também), e nalguns casos, têm de passar vários obstáculos para não serem detidos pela polícia, a da repressão anti-motim e a dos costumes (incluindo a de comando mais alto e a mais secreta das ordens policiais, os esquadrões de polícias intelectuais, o Comissário Saldanha Sanches, o sub-Comissário Pacheco Pereira, os adjuntos Vitalino Canas e José Lello, entre outros). Ao José Lello aproveito aliás, para lhe dizer olhos nos olhos (um dos meus já está quase cego, daí...), "Olha, esquisóide de merda, vai para a puta que te pariu, és um pide constrangido meu sacana, podes já meter processo e tudo, chamo-me Carlos Martins, sou uma espécie de leproso social e o meu BI ficou algures perdido em Mértola, quando estava sob o domínio dos teus moçárabes estalinistas). Certamente competente na inteligent-cia beriana (ou bérica, ibérica, ou de Béria), mas um filho da puta é o que tu és mesmo! (se te achas um democrata e não um pide socialista e modernaço, então manda um email a responder, em vez de andares a correr para o posto da polícia mais próximo, filho da puta!).
Mas falemos hoje dos desportos náuticos dos pobrezinhos, dos mais desfavorecidos, os que tiveram aumentos no abono de família de 35 euros mensais!.
Como não têm barco à vela e muito menos iate, os pobres vão para a praia da Cruz Quebrada (e não é por acaso que esta cruz é quebrada, por serem pobres obviamente já que a cruz dos mais endinheirados está sempre intacta, tem lá o Cristo Redentor dos Mais Endinheirados - o CRME. Mas a cruzinha não está partida e se estivesse seria imediatamente restaurada por um tipo qualquer arrendado por eles, os Apóstolos do Reino, quase sempre operários de vassalagem. O Golden Kindgdom dos descamisados.
E como dizíamos, os pobres vão para a Cruz Quebrada e praticam aí futebol de praia (acessível e por vezes até mediático), jacking de carteiras (igualmente acessível mas sujeito a conflitos com outros pobres que na areia suja de óleo renovável, repousam os seus restos assalariados(1). As sandes de couratos(2) é o que está a dar. Ovas de esturjão, nem pensar. De mexilhão estragado e vá lá, pois por ali não se deita gente com dinheiro). E por fim as corridas ao pé coxinho(3), até à onda mais alta. Há sempre alguns pobres que não regressam neste tipo de actividade desportiva. O que também é bom porque em termos estatísticos o que é fundamental é diminuir o indice de pobreza, o IP. E se isso puder ser feito enquanto os pobres estão entusiásticamente a praticar desporto. Imagine-se que morriam às mãos daquela polícia que anda vestida como os fascistas islâmicos, aquele pedaço de lingerie do Intendente a cobrir toda a cabeça de cabelo à escovinha e idiota e que costuma atacar os trabalhadores revoltosos. Os media nunca mais se calariam!
O objectivo dos pobres ao praticar desportos na praia é atingir um iate dos mais ricos e fazer cócó na proa quando os proprietários estão a dormir. Nesses casos e porque isso irrita os inquilinos do iate, os pobres regressam à praia e são festejados entusiásticamente. E os que atingem o iate e descarregam a refeição de couratos no dito, são medalhados, obviamente sem originalidade nenhuma, ou seja pela ordem habitual, mas com medalhas oferecidas nas revistas da Deco-Proteste. Uma pechincha! Em geral são de níquel vulgar, vulgaríssimas pois mas com um banho doirado muito fino.
Nota:
(1) A sandes com couratos, o pedaço de choriço amarelado e a cheirar a meses de stock, o regrigerante de 3,5 litros e gaseificado para que os traques não se fiquem pelo Mi menor e portanto sejam mais sonoros.
(2) A AMI e outras organizações de grande humanidade, é o que mandam para o Afegasnitão e os afegãos já vão com sorte pois tudo aquilo vai parar aos Talibâs, envenenando-os, of course). O que é castigo bem pequeno para quem andou a decapitar oposicionistas durante anos.
(3) Que é o que geralmente é politicamente correcto exibir, nalguns casos foi devido à guerra colonial, noutros devido a operações plásticas mal sucedidas (consta que o Estado tinha deixado de pagar a certos cirurgiões alguns dos prémios que auferiam por cirurgia feita).
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segunda-feira, junho 02, 2008
A pobreza e o ensino do existencialismo anti-burguês
Não é fácil pois muitas vezes a sopa está estragada ou cheia de vermes. Mas também não é preciso aprender nos clássicos, recuar aos séculos que estão numa carruagem mais atrás.
Em Lisboa o curso intensivo é na Igreja de S. João de Deus ou mais abaixo na Almirante Reis, na Igreja dos Anjos. Basta lá ir uma vez. Os candidatos geralmente vão lá antes do acto eleitoral. E quase sempre resulta.
Ao fim e ao cabo a vida é tão simples. E a filosofia, quem diria?
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Ou foi afinal a Gulp?
Ambas fazem estatísticas. Como o José Fonseca e Costa(1). Ele é uma espécie de Hidra que zela pela segurança da gruta (que é como sabemos uma espécie de sala de condomínio do Monstro). E como serpente de várias cabeças faz filmes, é sindicalista e ainda por cima faz sondagens e é comentador desportivo. Em vez do 2 em 1, ele faz 6 ou 7 em 1. E o pior ainda é que os contribuintes pagam para ver. Os que ainda pagam.
A Gulp foi recentemente atacada. Não foi um vírus, não foi ainda a tão esperada e pandémica gripe aviária (ou ovária, aviática, avícola, avicena?), mas já foi um incêndio de primeira grandeza, como uma supernova, essa estrela que morre em cada um de nós, dia após dia, célula após célula, sorriso após sorriso, nalguns casos (poucos) Brassens após Brassens, um olhar sobre a divindade e já está.
As gasolineiras continuam a arder. "E isto ainda é pouco" disse-nos um incendiário, um rapazinho ainda. "Para a semana vamos aquecer-nos junto à fornalha dos senhores doutores" (referia-se aqui às residências e contas bancárias do Pacheco Pereira, Vitalino Canas e outros da mesma espécie letal).
É claro que achámos exagerado. "Nesses casos..." - respondemos intelectualizando "um traque não bastaria?".
Nota (1):
Referimo-nos obviamente a Fonseca e Costa, cineasta, sonoplasta, maquinista, acrobata do cirque du soleil, produtor, actor, sondagista, sociólogo do trabalho, também ele comentador desportivo e para mais dirigente sindical.
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domingo, junho 01, 2008
Le jour mondial des enfants et de la hipertension
pour les faire rire et les donner du ricin.
Geldof, Bono et sa banque mondiale,
revolver des millionaires du chant.
l´idolâtrie du manger riant
sur l´herbe et le déjeuner au Sudan et au Portugal,
le seul bleu .
mais comme toujours, presque comme ça
encore la misericordieuse merde de Dieu.
ridelle demoiselle despotique et démographique
démon dépaneur qui dépit les faussets
pour acheter les incroyants,
les impénitents costumés.
imperialistes des nouveaux riches
fantaisie mélangé des niches et des affiches.
mufti mulet la catholique musclée
originellment excretée.
Et comme enchantement, sans le feu de l´insurrection
le maitre fait bien l´incrustation.
Jamais, pas mal pour les enfants
le micro-chip dans l´esprit, les mots du media dans les veines
l´important c´est pas la rose ou la framboise
mais qu´ils jamais, désormais
peuvent-ils décrouvir le Neánt?
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