O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação
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cadaveresquisito@alternativa2000.org
sábado, maio 31, 2008
Ou foi a Golp?
- Atacámos a Golp!, disseram-nos. E abeiraram-se.
Ficámos estupefactos. Tínhamos passado pela Galp e vimos de facto gasolineiras a arder, mas na Golp nada, tudo continuava na mesma, intacto. Os funcionários que ali trabalhavam já tinham ido para casa. Era uma ponte.
Depois os tipos começaram a traquear e o som e algum cheiro chegava-se por perto, entrando-nos para dentro das narizes. Uhmmm... - pensámos nós, uns para os outros. Este fogo sim!
Incendiários nós? Tínhamos decerto de tirar um cursinho com eles.
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Quem gagueja teu amigo é e em geral sopra onde quer!
se em vez do eduardo lourenço
enfiasses na tua gruta (1) um bom par de enguias.
a cultura mede-se contigo
na estreiteza dos teus pensamentos.
será chuva ou desta vez o pente
pois o ventre não será certamente,
E o vento não nos fere assim!
(dedicatória a Maria João Seixas, o poetinha algures em lava-colhos)
Nota 1:
O autor refere-se aqui, obviamente, à "Gruta de Fingal", uma obra de Mendelssohn.
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sexta-feira, maio 30, 2008
Atacaram a Gilp!
A locutora da Propaganda remetera-se ao sabor das circunstancias. As bombas ardiam. O fogo era intenso e o ar quente como um forno alquímico.
Grupos de cidadãos tinham atacado as gasolineiras.
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quinta-feira, maio 29, 2008
Ou teria sido a GELP?
- Os aumentos devem-se ao facto da bolsa ter sido aberta aos loucos. Desataram a inflacionar tudo. E como não usavam os combustíveis nos carros porque não os tinham e não saíam do hospício para parte nenhuma, punham-se a queimá-los quando iam para o recreio. Os combustíveis tendem a aumentar ainda mais se isto continuar nas mãos deles!
Isto teria dito um secretário de Estado do governo luxemburguês.
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terça-feira, maio 27, 2008
A melhor das selecções
Nomeadamente porque encerra nela (a bola), a experiência de sacrificio do seu patrocinador.
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segunda-feira, maio 26, 2008
Incendiai a Galp!
Que fazermos nós, surrealistas e ditos também libertários. Dar de frosque? Dizer que o Surrealismo é obra de artistas e nada tem que vêr com acção revolucionária a não ser a rosnadela quando o poeta enquanto cão é ainda jovem?
Éramos perto de 25, fomos buscar as tochas e quando chegámos perto da gasolineira demos-lhes com toda a aquela luz intensa. O Sol.
- Run into the light, gritava a feiticeira!
Foda-se pá, Zimbabué, o Mugabe, o PC Chinês, Chavez, Eduardo dos Santos and Company. Camaradagem marxista.
Os preços baixaram vertiginosamente, como um louco que se atira em vôo livre sobre o Grand Canyon.
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Apocalíptica Nau
não tinham muito para contar
chegaram viram, só venceram depois
uma punheta no convés a dobrar
assim coitados, de tanto ver o mar.
E que desxobertas fizestéis capitão-môr
- nenhumas, tudo estava ja visto.
Únicas, autênticas, meu senhor
Só mesmo as vistas do meu amor.
E que vistas capitão-môr?
As da cintura para baixo, por detrás do Bojador.
A pintelhaça escura e densa como a Europa do Delors
Entrar de rompante por ali adentro,
só mesmo dans le rêve, meu senhor!.
E ilhas encantadas meu capitão-môr, viste alguma?
Não, só vimos uma e era tudo menos isso.
Encantados ficámos nós de partir
Deixando lá um cura, só e o missal
para converter os ausentes e erguer capelal.
Isso que me contais, meu capitão-môr é má fortuna
Ou dêste pensar não partilhais?
Sim, tendes razão meu Senhor
O que está para lá do horizonte
É certamente obra do demo ou da poesia do Fanhais.
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quinta-feira, maio 22, 2008
A delação em 2008
via-nos passar e olhava de soslaio.
Na repartição quando veio a contra-revolução,
Alcançou finalmente a promoção.
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terça-feira, maio 20, 2008
Tudo a olhar...
O que é que a janela faz? Muita coisa. A começar pelos media que são os mais competentes voyeurs. A SIC, a TVI, a RTP, tudo olhos sobre nós! E sobre os pequeninos, ah os menores, coitadinhos, estão tão desprotegidos não é? E os pais, tão tristes choram coitados, a morte do menino... ficou tão desfigurado depois do jipe lhe passar por cima, estávamos nós tão bem a petiscar couratos!!!
Campos de concentração e as torres de vigilância com a luzinha sempre aberta!.Os pais estão sempre distráidos. Fumar em pleno voo? Não é grave. Pior se o voo terminasse antes de aterrar. Com os ministros e o concelho de estado todo lá dentro... Ah como riríamos, como festejaríamos, copos de tinto na mão, esta dádiva de Deus. Ou de quem quer que seja, venha o Diabo e escolha. O que faz sempre bem, coisa que não pode orgulhar-se a Roma dos católicos que antes queimava infiés como fazem hoje os fascistas da Al-Qaeda, no Iraque, em pleno "teatro de guerra", mas também nas estâncias turisticas.
E já para não falar no olhar esquivo e transversal do nosso vizinho. E as finanças, ah as finanças! ASAE é que é...
Os rapazinhos filmam-se e mandam para o "You Tube". É por causa das Ciências Naturais.
E esperam, diligentemente... Os espreitas da televisão irão ter com eles. E falam sobre eles. A mãe assiste.
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quinta-feira, maio 15, 2008
Poeminha de grande religiosidade erótica
(islâmica, católica, judaica e outras de passagem por Alcoutim)
Aprontada, orando, revelando o véu,
A saia subida, o cu no estrelado azul do céu.
Pontificado ou com a burka eu faço, seja o nosso nome,
o Devir para ti já não existe.
Um Caralho ao ver-te assim prostada nem sequer insiste.
Vêde, o teu quarto tão desordenado e triste.
(poema para entoar enquanto se faz amor com uma irmãzinha que tinha ficado para tia do Salvador (do Eugénio claro).
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E se andares por aí... (poeminha sem o menor sentido surrealista e muito menos para se lhe dar a mínima importância)
Traz então, vá lá, um inimigo também.
E se o dito não fôr o que esperas
Inclina-o para diante e diz-lhe que o oceano é a porta do mundo!
Estava um cadáver na mesa a dissecar
veio a enfermeira e começou a berrar.
Os necrófilos a morrer, um imenso rir de dentes abertos
A assistência toda a foder, um sapato na sala a dormir
E o vinho na cave a fermentar.
O Luiz de Pacheco tinha muito menos
O haviam extraído no lar, o Espirito.
E o dito não parava de contra-verter e falar.
E de lembrar quanto bastasse,
tudo aquilo era giro no Gelo!
A Estela toda a arfar, suspirando
Não parava de contraceptar, arfando
Um vivo de mais morto que estava no caixão, as unhas a raspar,
Era um europata decerto a discursar.
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terça-feira, maio 13, 2008
O Retorno do "Voo de Osíris"
Os leitores interessados em visitar este web site poderão aceder, clicando no link apresentado no lado esquerdo deste blog.
Chamamos a atenção para o facto de alguns "percursos" do mesmo (muitos ainda), estarem em fase de "construção", melhor dizendo de recuperação, uma vez que já existiram praticamente completos, em tempos idos (2001, por exemplo).
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terça-feira, maio 06, 2008
As praias protegidas - a Bandeira Vermelha
A maioria das praias receberam a bandeira amarela, a de precaução. Outras, bem poucas, a bandeira verde (é então o afogamento pela certa, o banheiro não estava presente, tinha ido à cervejaria local), e ainda algumas situadas ao norte de Sagres, a bandeirinha vermelha, algumas até ostentam provocatoriamente o símbolo da foice e do martelo, praias portanto dos trabalhadores unidos para sempre, e assim venceremos.
As praias da bandeira vermelha são agora as mais concorridas. Além de serem desprotegidas (não têm o aval da Quer-Cus, muito menos da Freedom-Watch ou da Aministia Internacional), têm sempre durante a tarde e como programação regular, o folclore da região e quanto a vias de comunicação, mesmo sem tecnologias de ponta, os comboios vão estacionar mesmo ao pé da praia-mar, as ondas praticamente batem nas rodas de aço temperado.
Além disso, os veraneantes são presenteados com música de fundo inspirada em Bela Bartok, Lopes Graça e Chostakovski. No final de um dia bem passado ainda podem assistir a um filme polémico, o celebérrimo "A praia dos 3 irmãos" (Estaline, Beria e Cunhal), e a um discurso de um tal Jerónimo, antigo chefe índio da tribo dos Apaches (perto da Malveira, portugueses claro).
Com as praias da bandeira vermelha as pessoas nadam e morrem decansadas. Depois da amarelinha e da verde, quando a vermelha se ergue no ar não é raro ver centenas de indivíduos lançarem-se ao mar bravamente, alguns ainda a digerir as sandes de chouriço de Castelo de Vide, os punhos levantados e a cantar a Internacional. A maioria não são recuperados. A mar leva-os sem a mínima contemplação.
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Grande Liquidação Primavera 2008
Olhou para o seu vice e sorriu com cumplicidade. "Temo-los na mão" deve ter pensado. "O camarada primeiro-ministro espanhol tinha razão. É preciso usar as melhores tecnologias de informação!".
As tropas porém, a um sinal do capitão de serviço, voltaram-se para a tribuna e dispararam ao mesmo tempo.
O helicóptero chegou mais tarde e levou o corpo do governante e de alguns dos seus pares. As pessoas voltaram à rua e festejaram. As eleições tinham sido finalmente adiadas e os preços baixado. Na União Europeia, a Itália e a República Checa resolveram bater com a porta. À saída os respectivos emissários deram um traque ensurdecedor e festejaram com os vinhos locais.
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O Maio de 69 e os surrealistas portugueses
Decorridos 40 anos (falta um ano!), o que pensam os surrealistas portugueses de Maio de 69.
Resposta: Ignoramos.
Do que sabemos (e aqui como em outros lugares do Reino, Maria Filomena Mónica tem toda a razão), é que as coisas só se passsavam praticamente em Paris e pouco mais. Os próprios mafiosi de Marselha quase não derma conta do facto, eles próprios tinham assaltado algumas esquadras uns dias antes, exactamente pelo memso método, a montra partida, depois a netra de rompante e o susto dos gendarmes. Até os americanos tiveram que fazer as nefessárias adaptações - o Maio de 69 virou contestação à guerra do Vitname (como se então não existissem outras guerras de igual gravidade).
Mas os surrealistas portugueses estavam, digamos assim para facilitar, a leste do problema. Os informalistas informalizavam, os abjectionistas abjectavam, a maioria incluindo o Luís Pacheco, iam para o café e conspiravam com bolinhos e o café expresso. Contra quê e contra quem? perguntais. Contra Nada, isto é, o mesmo de sempre, a Religião, o Estado, a Pátria, as polícias e sobretudo a ausência de exposições (alguns), televonovelas e sopas (a Maria Emília Correia já "sonhava" com elas, a tantos anos!), de programas de poesia (o Mário Viegas), programas "radicais" tipo RTP 2 (Victor Silva Tavares e outros). A grande parte dos surrealistas desejava fundamentalmente o tacho. Não o mesmo tacho dos fachistas e dos seminaristas do Melícias (também ele já socialista e de esquerda), mas o tacho dos surealistas, um tacho que premeia a carreira subversiva e a inclinação apra o lado dos que pagam a sopa e subsidiam os ateliers.
Nesta montra estético-literária (para agradar a gregos e sobretudo aos de Esparta) não estavam contudo Pedro Oom e António José Forte, para falarmos só destes.
O Maio de 69 apanhou os surrealistas portugueses praticamente desprevenidos - estavam a pintar e promover esposições, exactamente como hoje!. Pedir o impossível era coisa que só aos jovens de Paris podia lembrar - os surrealistas portugueses queriam só o possível, alguns mesmo chegaram a renegar os fundamentos e a ir para a publicidade (Alexandre O´Neil). "O Surrealismo está espalmado" teria dito o poeta de "Há Mar e Mar, há ir e voltar". Queria dizer mumificado, morto. E de facto emc erta medida tinha razão. Já se adinhava no surrealismo de então o processo de mumificação que se consumou nos anos seguintes, depois de Abril foi ainda pior. Mas tinha razão não porque o surrealismo deixasse de ser revolucionário e libertário mas apenas porque pretendia um surrealismo mais consentâneo, mais adequado, mais camping gaz e guide michelin.
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sábado, maio 03, 2008
O Reverso do Olhar - Uma exposição em Coimbra
Isto para lamentar não ter podido estar na abertura da Exposição Internacional do Surrealismo Actual "O Reverso do Olhar", fundamentalmente por estas duas razões, o meu olho direito estava ao contrário e a viagem é cara, de diligência (se houvesse) chegaria muito depois de realizada a pintura automática dos amigos do Grupo K da Holanda, mas é certo que chegaria lá e não gastaria tanto. E com alguma sorte encontraria a Stella Stevens ou o James Coburn (creio que nunca foram surrealistas mas como actores foram bastante melhores).
Uma dedicatória ao Miguel de Carvalho e aos que na Casa da Cultura da CMC contribuíram, (agora em 2008), para este evento. O Surrealismo longe de estar extinto, está bem vivo. O problema é saber de que Surrealismo falamos, se o Surrealismo de Dali, de Picasso, do Cândido Costa Pinto ou do Surrealismo de Breton, Artaud, Clovis Trouille, Guy Ducornet, Guy Girard e por cá de Pedro Oom, Ernesto Sampaio ou António José Forte.
O Surrealismo tem vindo a fazer-se com os seus protagonistas (nalguns casos anónimos, não pagam quotas nem saem nos opúsculos "surrealistas"), e quase sempre fica muito aquém dos seus fundamentos e princípios revolucionários. Anda-se pela estética e pela literatura, sobretudo a do estômago (surreal pois claro) e raramente se salta daí para a barricada. É que o Poder, desta vez burguês e proletário, operário e 3º oficial de repartição pública, Poder a um tempo indiividualista e massificador, está muito pior e mais sangrento. E desta vez vez já não precisa de alienar, implanta chips.
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quinta-feira, maio 01, 2008
O dia do trabalhador em Portugal
"Nós vamos almoçar à Serafina, mas antes vamos fazer uma marchinha junto à Alameda, é uma marchinha de protesto contra a politica do governo, unidos venceremos. Depois é que vamos festejar o 1º de Maio, com um arrozinho e pataniscas de bacalhau."
Um grupo ainda mais reduzido ia a caminho da Fonte Luminosa. Os da CGTP perguntaram-lhes "Não querem juntar-se a nós nas pataniscas". Um outro grupo estalinista gritou "Unidade sindical, unidade sindical!". De pronto e amàvelmente o grupo dos radicais de esquerda respondeu-lhes: "Bué de cena meu, mas nós vamos antes nas empadinhas vegetais! Depois do camping é que vamos à baixa partir umas montras".
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Uma refeição muito especial
Carlos Martins
(Dedicado a Swift e José Escada, of course por razões diferentes)
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