O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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quarta-feira, junho 18, 2008

O Surrealismo não é apolítico, é apartidário



Tal como referiram Pedro Oom, Mário Henrique Leiria, Cruzeiro Seixas e muitos outros, na primera fase do movimento surrealista em Portugal, também hoje o Surrealismo tem uma posição política e não é alheio ao que se passa no país e em especial no Mundo. O Surrealismo contudo é apartidário, isto é, não comunga em nenhuma capela de partido ou de interesse religioso ou corporativo. O que não significa que para os surrealistas lhes seja indiferente que esteja no Poder alguém que atenta mais ou de menos contra a liberdade ou que sustenta uma política de exploração dos trabalahdores assalariados, sejam eles de gravata ou fato de ganga.

Para os surrealistas não lhes é indiferente a luta dos camionistas e de outros sectores contra os aumentos dos combustíveis. E mais do que apoiar os camionistas, os surrealistas gostariam de ver alargado o protesto a todos os consumidores e em particular àqueles que se vêem mais atingidos com os aumentos dos produtos de consumo básico que são naturalmente afectados pela especulação do chamado "mercado livre" (que é sobretudo para escravizar e não para libertar), em torno do preço dos combustíveis e pela fatia pesadíssima que o Estado vai buscar ao mesmo.

Há naturalmente quem defenda o ataque às gasolineiras, lançando-lhes fogo para cima (cremos que algo já se passou de semelhante noutros países), e este acto "desesperado" seria certamente compreendido até por políticos que sempre defenderam no passado o direito à indignação e o diálogo com os grupos atacantes ("é preciso dialogar com eles!" diz muitas vezes Mário Soares), mas o consenso será para uma luta geral não contra as bombas em si mas sim contra os que detêm as mesmas, nomeadamente as grandes corporações (em Portugal a Galp, a Gelp, a Gilp, a Golp e até a menos citada, a Gulp), que são de facto as responsáveis pelos aumentos que se verificam.

As acções de fogo posto devem pois ser entendidas no sentido que os surrealistas sempre deram à acção revoltosa - bater forte na cabeça dos ditadores e dos "democratas" autoritários, sejam eles quais forem, derrubar ou agredir os poderes constituídos, fazer-lhes sentir que a liberdade para os cidadãos não é apenas a de lhes ser permitido votar de quatro em quatro anos.

O argumento dos safadistas que estão no Poder ou os apoiam, é o de que não temos alternativas. Mas temos. Se os cidadãos quiserem, se a revolta lhes explodir nas veias, as alternativas surgirão. E o que importa aqui é fazer vergar a arrogância dos vários poderes (em Bruxelas ou Portugal). E que os lucros das corporações baixem finalmente!

E um viva aos eleitores da Irlanda que disseram Não ao tal tratado de Bruxelas!





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a chave e a fechadura inexistente, 2:04 p.m.

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