O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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quarta-feira, junho 18, 2008

A bandeira do jovem cadáver antecipado

Os que empunhavam bandeiras portuguesas avançaram sobre o cidadão que estava só no parque a fazer um intervalo do trabalho.
- Não és da união? - perguntou um dos membros da massa.
- Por acaso sou, casei-me com comunhão de bens adquiridos e sou sócio de um clube de Leiria.
- Não chega - disseram. E desataram a dar pontapés no sujeito até o deixarem prostrado no chão. Depois subiram à estátua mais alta da cidade e puseram uma bandeira lá em cima, o rei deposto a segurar na dita, republicaníssima pois claro. Um dos festejantes, um rapazinho ainda, aplaudido pela arruaça que se avolumava junto ao monumento, resolveu soltar a mão que não segurava a bandeira e caiu estatelando-se lá em baixo. E a banda que fôra chamada para dar mais sonoridade ao momento não deixou de tocar o hino nacional. Até lhe deu mais volume.

Mas nesse mesmo dia a equipa perdeu e todos os seus membros foram visitar o jovem que soltara a mão da estátua. E o presidente também lá foi. E os deputados da nação valente e imortal.
O rapazinho ainda lá está na campa rasa que lhe deram. Coberto com a bandeira.




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a chave e a fechadura inexistente, 4:03 p.m.

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