O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação
Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia.
Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.
email:
cadaveresquisito@alternativa2000.org
email:
cadaveresquisito@alternativa2000.org
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Poema e desenho de Roberto Bessa

(Roberto Bessa, "Chá com Hegel", desenho, 2007)
Estavam para ser publicados bem mais cedo e chegámos a abrir o posting, mas por lapso ficou em "rascunho". Aqui se juntam por ora o poema "Bossanóia ou todo o mundo tem direito de ser Deus" e um desenho. Finalmente. Desculpa a demora, caro Roberto.
Demais colaborações seguirão o seu curso natural. Aqui também.
Quanto à tua pergunta "E por falar no Floriano, ele e o Cláudio Willer estão incluídos na antologia POETAS NA SURREALIDADE EM ENTREMOZ certo? Qual sua opinião sobre este livro? É possível adquiri-lo?", não te posso responder pois só o vi no próprio site do Museu, não lhe tive acesso, nem sequer mo enviaram lá de Estremoz. Mas pela selecção feita e os autores nela contemplados (alguns deles meus companheiros mais próximos), não existe margem para dúvida quanto à sua qualidade e actualidade. Disso não restarão quaisquer dúvidas.
Falta lá aquilo que sempre houve noutras antologias em situações semelhantes, a intervenção surrealista fora dos planos estético e literário, a posição FILSÓFICA, POLÍTICA e ÉTICA dos surrealistas de hoje. Para dar combate aos poderes e autoritarismos instituídos, regionais, nacionais ou internacionais. Mas segundo pude aperceber-me esse lado surrealista-libertário ou se quisermos, surreal-abjeccionista, não constava da programação local. Tão pouco lhe posso dizer onde o poderá adquirir. No entanto eu vou um dia destes a Lisboa tentar encontrá-lo e se o conseguir eu próprio comprarei e remeterei para si. Os amigos só não servem para as ocasiões. Vêm sempre os que não chegam...
BOSSANÓIA OU TODO MUNDO
TEM DIREITO DE SER DEUS
para Saulo Viana
João Gilberto não se perde porque é deus
nhanhanhanzinho endeusimumificado
e tudo volta a ser para sempre a máquina-deus
enquanto a musa voa como um fraseado saxofônico
é o último instante de um banquinho chamado adeus
com nove orelhas instantâneas e o mesmo instante por quatro
sonho
espessura
elástico e
madrepérola
João Gilberto não se perde porque é deus
suas mãos fogem do medo quando amarelam a figura do deus
sua boca engole o barquinho para alegria dos dentes
fúria dos dentes paixão e morte dos dentes...
É noite de São João, espinhos, todavias, carrinhos de bebês,
Velhinhos digladiando-se ao som desta bossa
Ou se preferir conto de fada:
era uma vez uma vez
que de quanto em vez não era
que todos diziam está de vez
ou era a bola da vez
vez verde por sinal semáforo
vez por outra era
não que de vez em quando não fosse
mas que sendo logo deixaria de ser
era uma vez sem vez
uma vez que era parte de um talvez
de alguma forma uma jogada de xadrez
e a banda do açougue desfila diante de um pedaço de vidro
João Gilberto cai do banquinho fica vincado.
moral da história: todo mundo tem direito de ser deus.
Roberto Bessa (1)
Nota:
(1) Roberto Bessa é o autor do blog "Dente Surrealista", o qual é possível visitar clicando aqui

Technorati Tags: surrealismo, surrealismo em portugal, surrealidade, movimento surrealista em portugal, surrealism, surrealists, surrealisme, surrealistas portugueses
Etiquetas: a actualidade do surrealismo, a boa educacao dos surrealistas portugueses, brasil surrealista, surrealidade, surrealismo no brasil, surrealistas brasileiros, vivencias surreais
a chave e a fechadura inexistente, 3:36 p.m.


