O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

email:
cadaveresquisito@alternativa2000.org

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Email de Roberto Bessa

Caro Carlos
Quanto ao poema e as colagens com certeza pode incluí-los no “Cadáver..”. Conheço o Sérgio Lima apenas através de seus obras. O mesmo vale para o Floriano e o Hélio. Há algum tempo atrás fui ao lançamento do livro “O INÍCIO DA BUSCA” do Floriano, tentei manter um contato com este, mas não vingou; parece-me que ele é muito ocupado. E por falar no Floriano, ele e o Cláudio Willer estão incluídos na antologia POETAS NA SURREALIDADE EM ENTREMOZ certo? Qual sua opinião sobre este livro? É possível adquiri-lo?
No que concerne ao Surrealismo contemporâneo, não posso dar-lhe uma resposta ainda, pois tudo é muito novo para mim, ainda estou conhecendo-o, digerindo-o...(graças à internet que por um lado tem facilitado muito). Mas acredito num “estado de espírito surrealista” que ultrapassa barreiras de tempo, lugares, diferenças, etc...E posso sentir esta chama viva nas produções contemporâneas. Creio que sou um “franco-atirador” como você aí, se bem que as coisas por aí são mais “agitadas”. Quanto aos grupos, já tentei formar um desses (chamava-se Hipofeu) com algumas pessoas bem “insPiradas”, mas não deu certo. Atualmente está acontecendo algo SURREAL por aí?

Um AbRaÇo
p.s: (1)Mexerico aqui é a mesma coisa.
(2) Chegou por aqui uma coletânea (OLHARES PERDIDOS) de Nicolau Saião.

Roberto Bessa


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domingo, dezembro 09, 2007

Os surrealistas portugueses e a auto-crítica

A autocrítica não existe nos estalinistas mas também quase não existe na maioria dos grupos ou movimentos surrealistas, muito particularmente em Portugal.
Pedro Oom, ele próprio membro do grupo fundador, foi um dos principais críticos do grupo surrealista português e do "surrealismo português", e com razão, não só porque o tempo lha deu mas porque a razão das suas críticas era óbvia - a maioria dos surrealistas ou assim ditos transformou-se meio século depois no oposto do que defendia na sua juventude. Não tínhamos nem nunca tivemos avida-dollars porque aqui os turistas não nos visitavam para entrar pelos ateliers dos artistas adentro. Caso contrário alguns seriam piores que o Dali.

Guy Ducornet ainda recentemente escreveu uma obrinha intitulada "Os parasitas do Surrealismo" onde aborda, no contexto do ambiente universitário e académico americano, (tendo sido ele ou sendo ainda, professor de francês na Universidade de Maryland, nos EUA), o oportunismo e por vezes o cinismo snob de alguns críticos e detractores do Surrealismo e em particular de André Breton, a quem acusam de ter sido a negação do surrealisme même. O que aqui queremos deixar bem claro e em linhas muito breves, é o seguinte: se Guy Ducornet pisasse porventura por algumas horas a geografia portuguesa e sobretudo a literária e procurasse saber qual a situação do Surrealismo em Portugal, certificaria esta coisa muito simples e clara - o Surrealismo em Portugal tem vergonha de se afirmar como tal, como se ainda vivesse debaixo de uma ditadura, fascista ou estalinista (1). É verdade que os surrealistas no activo (e falo dos anos mais recentes), contam-se pelos dedos (e alguns já não os têm pois entregaram-nos a uma missão política ou partidária qualquer). Nesse ponto lembramo-nos de algumas outras expressões da resistência anti-moralista - o caso da homossexualidade ou da bisexualidade por exemplo. Mas ao contrário destas o surrealismo português não tem porta-bandeiras (o que é óptimo) mas também não tem combatentes (o que é péssimo já que abre aos flancos aos inimigos da Poesia e da Revolução).

Nota:
1- Ou então é por outro motivo e sobretudo para agradar aos vários merchants (nomeadamente os que estão encavalitados no Poder), e isso ainda é mais grave.

(continua)


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sexta-feira, dezembro 07, 2007

oh quel bonheur la reproduction!

Les bons parents sont les pires méchants!

Anonyme, XVIII siécle



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sábado, dezembro 01, 2007

Resposta de Carlos Martins a Roberto Bessa (Brasil)

Caro Roberto

Se me der a sua permissão, gostaria de incluir no blog, o seu poema
"Bossanóia ou todo mundo tem direito de ser Deus"
e ainda
2 OU 3 DAS SUAS MAGNÍFICAS COLAGENS BEM
AUTOMÁTICAS.


Seria certamente uma ponte de laços perfeitos com o outro Brasil de que
aqui pouco se fala ou quer falar.
Só uma pergunta curiosa e pessoalíssima: Conhece o Sérgio Lima? Se o conhece quais as suas relações com este vulto "clássico" do surrealismo brasileiro? Conhece outros surrealistas brasileiros, como Floriano Martins ou Hélio Rola? Como interpreta o seu papel de intervenção surrealista à luz do surrealismo contemporâneo?

Tem alguma relação de companheirismo ou amizade com algum grupo ou movimento de expressão surrealista local ou é um franco-atirador, um pouco como eu aqui?

Uma nota apenas: Não sei como se diz aí mas mexerico aqui é maledicência do outro, por vezes para lhe arrebatar o lugar, algo que já parece típico nalguns surrealistas ou assim ditos (quem não é da igrejinha, sai fora!)(1)

Nota 1:
Falaremos desse espírito eclesiástico e mais do que isso inquisitorial que afecta também alguns companheiros surrealistas que vêem na presença de outros e sobretudo dos mais novos, a possibilidade de perderem algumas "esferas de influência" no milieu literáire (nacional ou internacional, tanto dá).

Carlos Martins
O Surreal e o Abjeccionismo que se lhe segue no nojo às instituições e ao Poder, sejam quais forem as formas que este assume mesmo quando condecora e "premeia" os surrealistas mais notórios

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Uma carta de Roberto Bessa

Caro Carlos

Em primeiro lugar me desculpe pela demora em responder-lhe. Quanto à sua
pergunta: sim, presumiu certo, encontrei-os no blog do "cadáver" que, aliás, já adicionei ao "Dente Surrealista", blog que criei com a intensão de expandir a corrente que mencionei. Quanto ao "gostaria de deixar" , na verdade, referi-me a este blog, pois lá encontra-se o poema que citei (homenagem a Cesariny) e outras "explosões psíquicas". Se possível, gostaria que visitasse o "dente" e deixasse a sua opinião. É bem importante para mim.
Um abraço!!!


...rápido monstro ataca com gritos
o cão aéreo - quadro de lama fresca
último instante decorrido
corpo adormecido de albumina
sangue transparente gente calada
moscas abatidas
duas espécies de abutres
esquerda e direita
pousam no semáforo onde se
penduram médicos diabos
e um molho de chaves com pimenta
algues argos algos albuns
agora e nunca
as auréolas do acaso
movimentam-se..."


P.S: Em breve, enviar-lhes-ei os poemas e imagens.

Roberto Bessa
http://dentesurrealista.blogspot.com/

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