O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

email:
cadaveresquisito@alternativa2000.org

terça-feira, julho 31, 2007

Bergman e o Surrealismo - a perda de um Alquimista


("Smultronstallet", "Wild Strawberries", "Morangos Silvestres", Ingmar Bergman, 1957)





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sexta-feira, julho 27, 2007

O poeta (não é um) hipócrita



Estar com esta democracia provinciana e nova-rica e fora dela ao mesmo tempo, merece apenas uma palavra - HIPOCRISIA. O socialismo fascitóide de Sócrates, Mário Lino e Teixeira dos Santos, com o seu cortejo de bufos e yesman, leva atrás de si o marcha habitual de ignóbeis vertebrados.
Manuel Alegre assemelha-se por vezes a um deles. Se seguisse o que dita o seu pensamento e o apelo do verbo que vai escorrendo para os inúmeros livros que publica, certamente não teria a reforma vitalícia e muito menos a condecoração presidencial que virá. Como veio para os que cita (Cesariny e outros), a boca cheia de palavras-vermes.

Onde está o movimento de cidadania que dizia promover? Que fez dos votos que lhe deram?







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POETS A LA CAGE!
(Contribution for the London International Festival of Surrealism, 2007)

Part Two






(Ana Santos & Carlos Martins, somewhere in Setúbal, Portugal, July 27, 2007)







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POETS A LA CAGE!
(Contribution for the London International Festival of Surrealism, 2007)

Part One





(Ana Santos & Carlos Martins, somewhere in Setúbal, Portugal, July 27, 2007)









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Day-by-day-by-day collages - III - L´enfant Staline aimait les printemps surréels!


("O menino Estaline gostava das primaveras surreais" - Colagem de Carlos Martins, 27 Julho 2007)



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quarta-feira, julho 25, 2007

Day-by-day-by-day collages II - Butterfly Mornings





("Butterfly Mornings" - Collage-Painting by Carlos Martins, dedicated to Stella Stevens, July 25, 2007)

........................................................................
........................................................................
........................................................................
After reading an email from Allan Graubard.


(Clique no botão verde; Click on the green button the hear the music)




(Song "Butterfly Mornings" by Mazzy Star)



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terça-feira, julho 24, 2007

Day-by-day-by-day collages - I "The music in your head"


(Colagem de Ana Santos e Carlos Martins, "A música na tua cabeça", 24.07.2007)

Colagem feita hoje, dia 24 de Julho, a partir de uma pintura original em acrílico de Ana Santos. A pintora e actriz dormia "sossegadamente" (oh! sossego, tumores, Finis coronat opus!), quando o pintor seu marido entreabriu a porta do jardim e foi alojar-se no canil, sentando-se aí confortávelmente até que o Sol se lhe opôs. Amicalement.



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Entrar Sair (poema de Allan Graubard et Jean-Jacques Jack Dauben
(tradução portuguesa)



ENTRAR SAIR



O Templo de Cesariny de Vasconcelos
terá esbofeteadores,
e será construído com copos de estanho
encontrados num bar antigo de alguma rua estreita
e tortuosa de Lisboa,
e quer seja colorido pelo derradeiro sonho de Viriato
ou pelo sangue de Sergius Galba,
a entrada para este local de encontro1 nunca nos livrará
do seu enrolar-desenrolar nos nossos olhos injectados de sangue,
sóis gémeos gravados na Adaga de Dezembro,
e à medida que passamos frente à sua pena,
aquela que ostenta a palavra
DESPREZO

tinta feita de absinto – colar druida de ouro2 – golpe de protesto



Ajeitamos as nossas gravatas antes de penetrar as imagens
“en tourbillion”,3
vemos um letreiro que diz Proibido Fumar4.
Contudo, das nossas mãos enluvadas o fumo se evola,
o fumo sai em grandes quantidades,
o fumo assume a forma de letras,
é então que vemos por entre o fumo
a cama do poeta flutuando
com as suas silhuetas quixotescas
em todas as praias que a ira espalhou
pelos nossos parques de competição para bebés,
os nossos alvos de relva cortada,
os nossos baudelerianos barcos sentimentais,
com as suas minúsculas árvores pessoanas5
e os olhos brilhantes como os de Vénus,
e os seus talabardões de mimosa enroscada, finos como papel,
e os seus graciosos panos de fundo de delicados delírios derviches.



A cama do poeta flutua
através de túneis íntimos de saliva e encapeladas colorações de ferrugem;
30.000 anos jovem amanhã, é amanhã que o Dodo
se ergue do colchão onde jazia extinto, mas é hoje
que o marinheiro-arlequim regressa
de viagens sem regresso;
a cama do poeta é uma locomotiva em chamas cercada pelos Celtas,
cercada pelos esbirros da Pide
por cravos e um corvo branco que pede mais,
por uma fadista6 cantando de olhos fechados, “As estrelas têm
uns burros pequenos tão lindos, por que é que não
nos trazem pistolas e cerveja irlandesa?”;
por agulhas sem linha e cinzas cheias de lágrimas,
por leite branco de uma “Vache”7 preta,
uma mistura volátil;
Nicolau Cansado8 está bêbado,
dorme para curar a bebedeira:
irá voltar?



Começamos a dormitar até que o som de uma Gaita Transmontana9
nos convida a passarmos agilmente para a sala ao lado,
onde nocturnos de Tânger
e um coro de rãs gigantes
douram as nossas pálpebras pesadas;
aqui a cortina abre-se para revelar globos de gordura escura
aglomerada em volta de ossos de Mamute
e as nossas gargalhadas misturam-se com o esmagar-se
de luas em quarto crescente
e de excêntricos brancos que ficam desnudados
como molhos de caudas verdes a ondear,
e cidadelas maduras e panteões sombrios
que Mário Cesariny de Vasconcelos esquadrinhou
para conseguir o seu beijo mais apetecido,
numa súbita chicotada osmótica de anos bissextos e de rosas;

meu pequeno diabólico plectro
minha auréola de lixo entrançado;

A cama do Poeta segue os nossos passos de uma sala para a outra:
é uma Caravela Portuguesa que flutua e vai aguilhoando
ao acaso,
passando por papéis Mouros amarelecidos e em tiras,
passando pelo abominável olho de vidro do veado de barro vidrado,
passando pela roupa do escritor10talhada na geada por almas penadas
passando pelo registo de prisões e pelos dados atirados;
continua e depois flutua por cima de nós,



e a seguir, aterra à nossa frente;
os ratos espalham-se como que saídos de debaixo de cobertores,
e ali ergue-se, como que iluminado por uma aura alpestre,
um magnífico e imponente lince
que diz a um de nós:
cabelo branco lebre preta11
cervo preto cpração branco12
noite branca cavaleiro negro; 13
sobre uma mão de pederneira vermelha, da cauda do
escorpião escorrerá o conto do leão, desta forma registando
na pedra a rota para as raízes das
especiarias interiores;
como navegador, imploro que toques
a rebate,
pois um cacique suarento,
na sua pomposa “dérive”14
tropeçou numa colmeia de eunucos
algemados,
e a vara de Artaud15 ornamentada de faíscas druidas
deve ser levantada.



Agora vai e não voltes mais,
deixarás este local deixando três palavras.



O lince falou assim aos outros:


Eu sou a macieira que se ergue da carnificina

Carnívoro plenipotenciário e detective bastardo

Excessivo nos seus brios, incumpridor das horas

Arauto de garças-reais dançando,
com recompensas de altos arrozais

Às vezes sem nome

Às vezes sem esperança

E todavia eu separo as vagas humanas
rebolando rodopiando centrípetas centrífugas

Meus olhos de Pirliteiro minha língua de Nepente16

EU SOU UM CAIR DA NOITE ESPECTRAL E INCOLOR DE MADRUGADAS E MADRIGAIS



O olho no coração que Mário Cesariny de Vasconcelos
segurava nas suas mãos
para ti e para ti e para ti,
meu delicioso vento iluminado por borboletas nocturnas!

Nemeton17
Shalako 18
Nunca

Máscara
Lábios
Cabelo




Jack Dauben
Allan Graubard
6-9 de Dezembro, 2006





Notas do Tradutor:
1.cat lodge, no original. Segundo Allan Graubard, tratar-se-á de local de encontro, uma casa cujo símbolo totémico é o gato, onde um grupo de pessoas se reúne para levar a cabo uma operação simbólica. 2. gold lunalae, no original. Segundo Jack Dauben, é um ornamento celta de ouro, da idade do bronze, em forma de crescente lunar. 3. “en tourbillion”, em Francês, no original = em turbilhão. 4. Em Português, no original. 5. Pessoa trees, no original. Referência a Fernando Pessoa. 6. Em Português, no original 7. No original, em Francês. 8. Heterónimo de Mário Cesariny. 9. Em Português, no original. 10. writing suit, no original. É uma referência imaginária às roupas que alguém vestirá quando está a escrever. (Allan Graubard). 11,12 e 13. no original, por esta ordem: “white hair black hare”, “black hart white heart”, “white night black knight”; trata-se de um jogo homofónico de palavras sem correspondência possível em Português. 14. “dérive”, em Francês no original = deriva. 15. Poeta e dramaturgo francês que Mário Cesariny muito admirava. 16. Nepenthe ou Nepenthes, no original – bebida mágica, remédio contra a tristeza de que Homero fala na Odisseia. 17. Nemeton é o nome dado ao bosque sagrado onde vivem os deuses celtas. 18. Shalako – É uma cerimónia dos índios Zuni que vivem no sudoeste norte-americano.

A Jack Dauben e a Allan Graubard agradeço os preciosos esclarecimentos, lançando luz sobre os passos mais obscuros ou ambíguos do seu poema.
Tradução de António Simões





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segunda-feira, julho 23, 2007

Entrar Sair (versão inglesa)





(Poema "Entrar Sair" de Allan Graubard e Jack Dauben, ilustrações de Thom Burns)



Enquanto não nos chega às mãos o livro "Poetas na Surrealidade em Estremoz", antologia de poemas organizada por Nicolau Saião e publicada aquando da realização da exposição "Um Postal para Mário Cesariny - Viagem a Arcturus", iniciada em Fevereiro de 2007 no Museu Municipal Joaquim Vermelho de Estremoz, publicamos aqui um dos poemas incluídos nessa antologia e da autoria de Allan Graubard e Jack Dauben, "Entrar Sair" na excelente tradução de António Simões. As ilustrações são da autoria de Thom Burns (da versão em língua inglesa).(1)

Nota:
(1) A tradução do referido poema, da autoria de António Simões, será publicada num dos "postings" seguintes.





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A Divina Proporção


(A T-shirt da Divina Proporçao, compre já!)

Deus entregou-nos um mundo de merda. Às crianças, e particularmente às dos países onde vigora o autocratismo seja ele burguês, socialista, católico ou islâmico, deu-lhes Deus a Ideologia desde que se sentam ao colo da mãe ou nos bancos de escola até à urna (não a do voto quando adultos mas a que lhes é vendida quando partem para o Nirvana, a terra a dar-lhes por cima dos ombros deslocados). Deus é um mito e uma aberração. Uma monstruosidade criada pelos poderosos, teólogos ou ideólogos, ao serviço exclusivo da economia e da finança. O Deus dos estalinistas, o Deus dos trotkistas, o Deus dos eco-fascistas e dos falsos libertários - um Deus para todos os gostos e orientações. O Deus dos burgueses e dos ricos, dos antigos e dos novos. O Deus dos islâmicos uma outra aberração. Ao fim de séculos consegue juntar milhões de assassinos e transformá-los em mártires e heróis titânicos. Um miúdo qualquer com uma bomba à cintura consegue fazer com que mudemos o sentido do nosso voto e preenche-nos os sonhos com a tinta vermelha com que enche as suas veias de ódio.

A proporção do Divino foi dada não por Deus mas pelos artistas, que souberam usar a paleta, o lápis, o carvão, o óleo, o acrílico e sobretudo o poder crítico e demolidor da sua Palavra. Os tiranos curvaram-se não a Deus mas aos seus artistas que entretanto procuraram liquidar fosse pelo fuzilamento ou (na impossibilidade desse método de excelência), pela aquisição da sua consciência ou do produto do seu labor. Para matar definitivamente os artistas os tiranos deram-lhes benesses, sobremesas multicôres, casas de campo e uma pequena nota nos jornais diários. Foi quanto bastou.

Os democratas-tiranos, ao contrário dos antigos tiranos autocratas, em vez de venerarem Deus ou os artistas passaram a adorar outros deuses, os deuses do futibol, uma prática que consiste em colocar onze jogadores contra outros onze enquanto uma slot-machine vai despejando dinheiro nos bolsos dos respectivos donos, donos dos jogadores e dos que a eles entregaram a alma e o resto e que assistem obdientemente a essas práticas circenses.

Deus é uma boa merda. E a terra sem amos não precisa de outros.





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quinta-feira, julho 19, 2007

Diálogo do nenúfar carnivoro
do
Nordeste do Kansas
(cadáver esquisito)


(Mário Cesariny e Miguel de Carvalho, Fevereiro de 2007 - foto-montagem digital de Carlos Martins)


("Diálogo do nenúfar carnívoro do Nordeste de Kansas" - Cadáver Esquisito de Mário Cesariny e Miguel de Carvalho, versão impressa em Fevereiro de 2007)


Mário Cesariny - Tenho muitos males em cima. E você?

Miguel de Carvalho - O amor serve-me de nível e sobre ele todos os males se fundem.

Mário Cesriny - Parece que na Nicarágua há um lago onde as pessoas vão deitar os males de que sofrem. Conhece?

Miguel de Carvalho - Sempre que o silêncio se apressa num encontro tempestuoso, visito esse lago que como diz fica para o lado de lá, atrás dos mastros-astro. E o Mário visita-o com regularidade?

Mário Cesariny - Só lá fui uma vez e vi um mendigo cego que recitava em voz alta trechos do Testamento Velho. Depois disso tirava do bolso uma maçã que cortava cuidadosamente em 4 partes. Metade dos quais lançava ao lago e a outra metade comia-as. Quando isso se sucedia, costumava aparecer o tio Sanches, figura muito popular na Nicarágua, dado que não tinha olhos e ainda lhe faltava uma perna.

Miguel de Carvalho - Sim, lembro-me que esse lago tinha nenúfares submersos com as raízes fora d´água. Sobre as raízes pendiam olhos maduros e silenciosos. Creio que percebo agora o que me conta acerca deste mendigo cego. Parece-me também que alguém lhe contou acerca do poder curativo desses nenúfares, os tais da Nicarágua. O grande lago Nicará sem água.

Mário Cesariny - Parece que esses nenúfares tinham grandes poders curativos especialmente entre as classes eclesiásticas e no carnaval.

Miguel de Carvalho - Então quem era o mendigo? Será um padre disfarçado em...

Mário Cesariny - ...Ostra.

Miguel de Carvalho - Agora quero acreditar que a Vénus de Boticelli apareceu nesse lago da Nicará sem água e sobre uma ostra e não dentro duma vieira (da silva) como nos querem fazer acreditar.


Mário Cesariny & Miguel de Carvalho
Lisboa, 25 de Outubro de 2006




Texto inédito apresentado na reunião surrealista "UM POSTAL PARA MÁRIO CESRINY - VIAGEM A ARCTURUS", na cidade de Estremoz em 24 de Fevereiro de 2007

tiragem de 100 exemplares, numerados e autografados por miguel de carvalho


Nota:
Um dos exemplares (o 84º de uma tiragem de 100), foi oferecido posteriormente e já depois do falecimento de Mário Cesariny, por Miguel de Carvalho a Carlos Martins, com a seguinte dedicatória "para o carlos martins este diálogo de um nenúfar carnivoro do Nordeste do Kansas, em tempo de secura de cadáveres esquisitos e tudo do seu Miguel de Carvalho". Aproveito para daqui enviar ao Miguel, um forte abraço de simpatia e agradecimento.




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terça-feira, julho 17, 2007

Fuck them all, ideolodgers of (sur)neo-realism


(L´assassinat de Theo Van Gogh at www.surrealism.nl)

Vous les chanteurs et scribes d´un Dieu encore inconnu mais certainment plus revanchiste, Rectum Rédemption, laisse-moi vous dire, recyclage rouge, blanc et noir de la MERDE. Eco-fascistes, scoutistes et stalinistes réflecteurs, laissez-nous pisser pour vous et dans votres forêts (p)réservées. En liberté et sans les moustiques domestiques et demistock de votre gendarmerie surreél-stalinovostok qui nous torture. Tout simplement.

Scléroser nos enfers.


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segunda-feira, julho 16, 2007

Poets a la cage! A casa da poesia em Portugal




Creio que foi Pedro Oom que disse um dia "Pode ser-se mais livre dentro de uma prisão do que fora dela". Este grito abjeccionista de Pedro Oom inseria-se obviamente no tempo em que vivíamos sob a ditadura fascista de Salazar - havia poetas que se suicidavam por infortúnio, miséria, fome até. Os dentes cerravam-se de revolta e ódio ("a faca nos dentes", como escreveu António José forte), contra o opressor. As repartições estavam cheias de delatores, pequenos e grandes, bem e mal pagos, do partido nacional ou fora dele, tal como hoje se receia falar livremente num escritóriozeco qualquer.

A nossa contribuição para o Festival Internacional do Surrealismo em Londres (iniciado hoje dia 16 de Julho e que decorre até 29 de Julho de 2007), são uma instalação e uma série de fotografias tiradas sobre a mesma, algures perto de Setúbal (o lugar exacto não o revelaremos obviamente pelas razões acima "tocadas").

Estas são duas das fotos. As restantes seguem hoje ou amanhã para os responsáveis por este Festival, os membros do SLAG (Grupo de Acção Surrealista de Londres).


Nota final:
A Pearl Handel (do grupo acima citado), mostrou-se intrigada ("we are intrigued...") por chamarmos à nossa intervenção "Poetas à prisão!". É claro que, para quem vive em Londres e nem sequer vê aprisionados os que atentam contra a liberdade só porque erguem o facho de Alá em vez do facho de Mussolini ou de Hitler), este grito pode ser mal interpretado. Porém, para quem conhece a realidade portuguesa, sabe perfeitamente como os poetas são encarados neste país, apesar dessa tendência hipócrita de dar os nomes de poetas às ruas, atribuindo-lhes, como já o referimos, ruas com lixeiras e que servem muitas vezes de cagatório público. Abaixo de cão rafeiro, é o que é. A situação não melhorou depois do 25 de Abril (Ricarte-Dácio matou-se, recordam-se? Luiz Pacheco vive como se sabe!). O que se passou foi que muitos dos poetas outrora mais interventivos e críticos do "establishment" resignaram-se a um conformismo quase absoluto ou nalguns casos passaram-se mesmo para o lado dos que antes criticavam. A poesia portuguesa (e nalguns casos a poesia surrealista), deixou de ser uma voz de sobressalto e inquietação para passar a ser uma voz resignada, em tom menor. Muitos cederam à tentação da notoriedade.
Mas nem por isso os poetas (e sobretudo os mais inconformados), são tratados com o valor e o respeito devidos à sua condição. Daí o nosso grito de revolta, de indignação. Portugal continua a ser, como dissemos num texto contra a censura a Marcel Marien, "au Portugal, pays de miséreux et sans importance, costume de deuil pour les poètes et les citoyens libres", um país miserabilista e provinciano, que destina aos poetas no seu derradeiro suspiro, a habitual referência post-mortem (com programa na televisão depois das telenovelas). É a vidinha, como denunciava a seu tempo, Alexandre O´Neil.



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domingo, julho 15, 2007

Quando o Surrealismo se inscreve ao lado dos reaccionários islâmicos



O "camarada" Cut_Throat de Londres deixou-nos um comentário, ao qual por razões de segurança pessoal, resolvi responder por esta via (a seu tempo poderei explicar porquê).
Vamos por partes, transcrevendo para já o comentário do Corta_Gargantas (significativo o nome, ou não?):

The murder of Theo van Gogh was a despicable act of religious barbarism. But he was NOT our "dear brother of the spirit". He was a supporter of Pim Fortuyn, and a champion of right-wing free-market ideology. His attacks on both Islam and Judaism were often simply racist, and were fuelled by right-wing politics rather than by any love of freedom or poetry. If he attacked religion, it was not because he was our brother: the enemy of our enemy is not always our friend.


A nossa resposta (meio a medo, não vá o Corta-Gargantas passar da thesis à praxis surreal-estalinista):

Dear Cut (your own) Throat:
Your maniqueist philosophy is not mine. I am not your portuguese gardener.
You have the right to defend Islam and Judaism and justify the murdered of Pym Fortuyn but i am not in that corner. I am in the opposite side of your barricade, not in the left or right wing side, but most in the middle of yours, i am probably your main and favourite target. I doubt you could write a similar comment against the islamic fascists. For instance against iranian totalitarians, the Ayatollahs in the first line. Surely if you did that you will lose your own throat (mine costs less in the free market you apparently fight). Every religions are reactionary and must be deeply critized and attacked. Islam is the most reactionary of them all. Their God is a shit.
Libertarians aren´t a monopoloy of the Left. Left and Right are both reactionary notions and ideologic concepts and something that is most related with military marchs, mainly when one lost the geographic basic orientations. They both simply need traffic signals.
Concerning Surrealism and what it means in day-by-day life, please don´t give me any lessons about that. Oppositely to the people that born in England (just for giving an example, not anything against the englishmen that i respect), we do not ignore what fascism is - their real persecutions (not virtual), their heavy boots, their censorship, their delation policy spreaded to the members of the same family, fellows and comrades. Nous avons vécu sous le drapeau du fascisme pendant 48 ans!

Oui, nous sommes anti-judaistes, anti-islamistes, anti-catholiques, anti-stalinists and anti-trotkistes, we have suffered their NUMBERS on our skin, nous sommes libertarians!
Je m´emmerde pour les religions minoritaires ou maioritaires, catholiques ou muçulmans. La poesie est la liberté de la pensée!.

Your friends are maybe your ennemy now and most in the next future, the islamic fascists and their basic anti-american and anti-western allies.
You are free to dance with the "cutting throats" reactionary islamics like the vodoo dancers. That´s your choice!

Amazing thing that if things runned not so well as you expect you will probably run to the western side!.
LA COMÉDIE D´UN JOUR, bien sur!

Post Scriptum: Sadly i can´t reply you with my real name (on the comments page). I live in a country where delation is now well paid (national socialist party, just one of the new ten commandements). Stalinists and "socialists" are gaining tens of thousands of euros monthly while people like me are living under the circumstances.
Sorry for not mentioning it but you know my name.


TRAVAILLER DANS LA GENDARMERIE A TOUJOURS ÉTÉ UNE ÉVIDENCE?
Je suis né dans une caserne. Mon père était gendarme. Alors oui, j'étais sûrement prédestiné à ce métier… J'ai le goût des responsabilités, des activités intenses et la gendarmerie, c'est la possibilité d'avoir un métier ouvert sur la société.

(Interview du lieutenant colonel Luc Auffret, récemment arrivé en Loire-Atlantique pour diriger le groupement départemental de gendarmerie).









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sábado, julho 14, 2007

Festival Internacional do Surrealismo, Londres 2007
Colaboração de Eugenio Castro, Grupo surrealista de Madrid




SEPARAÇÃO

uma in(acção)


É minha intenção contribuir para o Festival Internacional do Surrealismo, a realizar em Londres de 16 a 29 de Julho, de 2007, com uma intervenção num parque de Madrid, cujo nome prefiro não revelar. Esta intervenção chamar-se-á SEPARAÇÃO.

Consiste a mesma em fizar com um alfinete em várias árvores da cidade, um pedaço de papel no qual escrevi as seguintes inscrições:


Desprendimento de luz,
Desprendimento de azogues,
Desprendimento de lágrimas,
Desprendimento de amor,
Desprendimento de tempo,
Desprendimento de ar,
Desprendimento.

Considero esta intervenção, até ao momento anónima, uma inflexão entre a experimentação com o objecto surrealista e a acção incondicional na vida de todos os dias; ou seja, uma espécie e dádiva à inclemência; para abreviar, um acto compeltamente inútil, e portanto, uma "desacção".

Eugenio Castro
Grupo surrealista de Madrid





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a chave e a fechadura inexistente, 7:23 p.m. | link | (0) comments |

Recordação de Theo Van Gogh


(recordação de Theo Van Gogh, cineasta holandês, neto de Van Gogh, assassinado numa rua de Amsterdam por um fascista islâmico)

Aqueles que te assassinaram querido irmão do Espírito, são os mesmos que à esquerda ou à direita, no ocidente burguês, novo-rico e obscurantista, tecem loas ao islão reaccionário, dobrando a coluna como antes faziam com o nacional socialismo, fugindo depois às botas do mesmo, para a América capitalista que antes haviam condenado.




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a chave e a fechadura inexistente, 7:07 p.m. | link | (1) comments |

Todas as religiões são reaccionárias
Every religions are reactionary!


(Tortura anal praticada pela inquisição católica)


(Na Católica eram as ideias, no Irão islâmico basta uma roupa diferente)


(E que tal a leitura do Corão em vez dos Manifestos do André B.?)


Islão e Católica, a mesma inquisição, a mesma doutrina de conformismo e resignação. Fodei-vos ambas!

Islam and Catholic religions are the same, the same doctrine of conformism and resignation. Fuck you all!.







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a chave e a fechadura inexistente, 6:20 p.m. | link | (0) comments |

Man Ray - Willem den Broeder


(Trabalho colectivo, Man Ray-Willem den Broeder, La Prière, 80 anos depois)

Pode ver-se o restante (e muito) da colaboração entre estes dois artistas surrealistas, através do seguinte link.


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a chave e a fechadura inexistente, 6:05 p.m. | link | (0) comments |

Os camarade já devem ter percebido...


(Deputados portugueses em exercício no Palácio de S. Bento, 2006)


Que o cadáver esquisito só é cadáver quando quer. De resto sai da gaveta mortuária sempre e quando lhe apetece e vai por aí criando sustos e desfalecimentos por entre a burguesice e o novo-riquismo nacional e internacional, sobretudo o europeísta, o tal que foge para os Estados Unidos da América quando as coisas por cá correm mal.
O Surrealismo e o Surreal-Abjeccionismo não são própriamente uma cátedra onde os escritores e os poetas se afirmem para alcançar a notoriedade e a consagração, nalguns casos post-mortem. Não é espacio para alcançar a autoridade num partidozeco local e muito menos os degraus de São Bento (estranho nome que deram ao parlamento português que é assim transformado num coito beneditino cheio de preguiçosos vitalícios com reforma antecipada).



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a chave e a fechadura inexistente, 5:14 p.m. | link | (0) comments |

Surrealist Letters - René Passeron
Festival Internacional do Surrealismo, Londres 2007



O método da carta aberta foi praticado pelos surrealistas de uma forma muito própria. Não porque as suas cartas de insulto (lettres d´injures) tivessem sido absolutamente originais perante a enorme avalanche de panfletos, de todos os lados, surgida após a I Guerra Mundial. Mas um número muito significativo destas cartas e endereços permaneceu justamente célebre: elas eram, por assim dizer, manifestos personalizados. [...]

(in Adam Biro & René Passeron (1982), Dictionarie Genéral du Surréalisme et des ses environs. Presses Universitaries de France. Incluído na brochura apresentada pelo SLAG, Festival Internacional du Srrealismo, Londres 2007)



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sexta-feira, julho 13, 2007

Festival Internacional Surrealista, Londres 2007


("Terrorist Jazz", colaboração de Rik Lina para o Festival Internacional do Surrealismo, Londres 2007)

Finalmente a tradução para português do convite dirigido pelo SLAG a todos os amigos e companheiros-viajantes surrealistas:

"
Estamos orgulhosos por vos poder convidar uma vez mais a participar no Festival Internacional Surrealista, Londres 2007.
Junto a este email estamos a enviar-vos uma brochura (ver nota 1 em baixo), com algumas propostas e sugestões "provocatórias", incluindo uma curta introdução explciativa da naturexa e dos propósitos deste Fstival, destinada especialmente a todos aqueles que estejam a juntar-se-nos pela primeira vez, seja aqui em Londres, ou noutra parte do mundo.
Claro que não é imperativo que estejam fisicamente em Londres para poderem associar-se a este evento.
..."

No seu email, o SLAG convida ainda todos os companheiros e amigos surrealistas que eventualmente estejam em Londres durante as duas semanas do Festival e desejem associar-se às diversas actividades organizadas pelos membros do SLAG. para contactarem o grupo por email a fim de que lhes sejam remetidos os detalhes dessas actividades e realizações bem como os convites que venham a ser feitos com vista a futuros eventos.

NOTA 1:
A referida brochura bem como outros documentos emitidos pelo SLAG sobre o Festival, poderão ser remetidos a quem, associado com o movimento surealista, artísticamente ou não, mostrar interesse em receber a mesma.








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quarta-feira, julho 11, 2007

O país dos delatores - a abjecção e a surrealidade



Portugal apresenta um superavit de delatores. Estatísticamente poderíamos dizer que há aqui mais delatores do que vítimas de delação. O país anda mesmo confuso porque já não sabe a quem espiar pois o espiado é também um notável delator. Há bufos na classe operária, bufos na polícia (pudera!) e bufos (imperdoável) na classe dos escritores e poetas. Quem não fôr da situação é certo que não tem citação assegurada no livro-maior da poesia. Assírio e Alvim, & Etc. mas não só. Só lá estarão as capelas e os curas deles!

Se Pedro Oom fosse vivo estaria certamente a reclamar contra o facto de alguns surrealistas apoiarem de viva voz o partido nacional socialista português. Inácio Matsinhe reclamava-nos há dias que João Soares se serviu da sua amizade com Mário Cesariny para o apioar na CML. A família do bochechas tem ramificações no partido dos surrealistas oficiais, o chamado Grupo dos Quatro.
Os surrealistas que desde a primeira hora se revoltaram contra a tiranice dos partidos (os do poder e os da chamada oposição), não podem encarar senão com amargura o facto de alguns dos seus compagnons de route enfileirarem por vezes ao lado dos partidos do poder, alguns dos quais com uma actuação anti-democrática e nalguns casos neo-fascista.

A perseguição e delação são a palavra de ordem na administração pública e em toda a sociedade. Se dás um traque não esperes que o mesmo seja interpretado como uma mera indisposição ou flatulência mas porque temes a vigilância dos teus donos, porque não tens os impostos em dia ou andas por aí a dizer mal das chefias. Pior do que isso se tens um cancro e ainda podes trabalhar, TRABALHA, o trabalho é socialista!
Professores, médicos, engenheiros, arquitectos, os olhos estão à vossa escuta! Perdei-vos nas vossas dissertações queridos doutores, falai demais e ten(dr)ais a bufaria à vossa espera!.

Merda. Abaixo o Júdice, Tres vezes Viva, para o Surreal-Abjeccionismo!







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domingo, julho 08, 2007

Da Turquia também sopram outros ventos...


(Kaos Duvarı ya da Kollektif Ruh ve Eylem..)

Da Turquia não sopram apenas os ventos do islão reaccionário. Também há "vulcões" e "tornados" surrealistas e libertários que ajudam às necessárias e urgentes alterações climáticas. É que o ar está mais irrespirável e não é por causa dos fumadores.



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sábado, julho 07, 2007

Festival Internacional Surrealista - Londres 2007


(Contribuição do Grupo de Acção Surrealista da Turquia, orientação de Eylem Turkiye)


("O parasita do azul", Colagem de Sasha Vlad)



Infelizmente e por razões de saúde só agora me foi possível dar a público e em especial dirigido a todos os artistas e companheiros surrealistas, o desafio lançado pelo Grupo de Acção Surrealista de Londres - SLAG, para a participação no Festival Internacional Surrealista de Londres 2007. a realizar de 16 a 29 de Julho. Transcrevemos abaixo o convite feito (em lingua inglesa) por aquele grupo e enviado por Pearl Haendel:

Dear Surrealists, friends & fellow travellers

We are delighted to invite you all once again to participate in the second
London International Festival of Surrealism. Attached to this email you
will find a pdf booklet of proposals and provocations, with a short
introduction to explain the nature and purpose of the Festival for those of
you who may be joining us for the first time, whether here in London or
elsewhere around the world. You certainly do *not* need to be physically in
London to join us for this Festival!

We also attach an mp3 file which, as you will see, accompanies one of the
games proposed. The pdf file and the mp3 together constitute about 3.5MB.
If you have any difficulties downloading either of these attachments, please
let us know.

During the two weeks of the Festival, SLAG regulars and friends will be
conducting various festivities around London itself. If you are going to be
within reach of the city during those two weeks and would like to join us,
please email us for details and further invitations.

With Surrealist greetings to all of you, and with high hopes for a playful
summer

SLAG ~ Surrealist London Action Group
http://robberbridegroom.blogspot.com


NOTA IMPORTANTE: O documento de base apresentado pelo SLAG será enviado a quem manifestar interesse em participar no referido evento. Trata-se de um documento em formato pdf com 31 páginas e uma errata com uma alteração proposta por Eugenio Castro do Grupo Surrealista de Madrid. Os interessados (as) deverão dirigir um email nesse sentido para Carlos Martins cadaveresquisito@alternativa2000.org








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