O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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cadaveresquisito@alternativa2000.org

segunda-feira, julho 16, 2007

Poets a la cage! A casa da poesia em Portugal




Creio que foi Pedro Oom que disse um dia "Pode ser-se mais livre dentro de uma prisão do que fora dela". Este grito abjeccionista de Pedro Oom inseria-se obviamente no tempo em que vivíamos sob a ditadura fascista de Salazar - havia poetas que se suicidavam por infortúnio, miséria, fome até. Os dentes cerravam-se de revolta e ódio ("a faca nos dentes", como escreveu António José forte), contra o opressor. As repartições estavam cheias de delatores, pequenos e grandes, bem e mal pagos, do partido nacional ou fora dele, tal como hoje se receia falar livremente num escritóriozeco qualquer.

A nossa contribuição para o Festival Internacional do Surrealismo em Londres (iniciado hoje dia 16 de Julho e que decorre até 29 de Julho de 2007), são uma instalação e uma série de fotografias tiradas sobre a mesma, algures perto de Setúbal (o lugar exacto não o revelaremos obviamente pelas razões acima "tocadas").

Estas são duas das fotos. As restantes seguem hoje ou amanhã para os responsáveis por este Festival, os membros do SLAG (Grupo de Acção Surrealista de Londres).


Nota final:
A Pearl Handel (do grupo acima citado), mostrou-se intrigada ("we are intrigued...") por chamarmos à nossa intervenção "Poetas à prisão!". É claro que, para quem vive em Londres e nem sequer vê aprisionados os que atentam contra a liberdade só porque erguem o facho de Alá em vez do facho de Mussolini ou de Hitler), este grito pode ser mal interpretado. Porém, para quem conhece a realidade portuguesa, sabe perfeitamente como os poetas são encarados neste país, apesar dessa tendência hipócrita de dar os nomes de poetas às ruas, atribuindo-lhes, como já o referimos, ruas com lixeiras e que servem muitas vezes de cagatório público. Abaixo de cão rafeiro, é o que é. A situação não melhorou depois do 25 de Abril (Ricarte-Dácio matou-se, recordam-se? Luiz Pacheco vive como se sabe!). O que se passou foi que muitos dos poetas outrora mais interventivos e críticos do "establishment" resignaram-se a um conformismo quase absoluto ou nalguns casos passaram-se mesmo para o lado dos que antes criticavam. A poesia portuguesa (e nalguns casos a poesia surrealista), deixou de ser uma voz de sobressalto e inquietação para passar a ser uma voz resignada, em tom menor. Muitos cederam à tentação da notoriedade.
Mas nem por isso os poetas (e sobretudo os mais inconformados), são tratados com o valor e o respeito devidos à sua condição. Daí o nosso grito de revolta, de indignação. Portugal continua a ser, como dissemos num texto contra a censura a Marcel Marien, "au Portugal, pays de miséreux et sans importance, costume de deuil pour les poètes et les citoyens libres", um país miserabilista e provinciano, que destina aos poetas no seu derradeiro suspiro, a habitual referência post-mortem (com programa na televisão depois das telenovelas). É a vidinha, como denunciava a seu tempo, Alexandre O´Neil.



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a chave e a fechadura inexistente, 6:12 p.m.

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