O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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cadaveresquisito@alternativa2000.org

segunda-feira, julho 23, 2007

A Divina Proporção


(A T-shirt da Divina Proporçao, compre já!)

Deus entregou-nos um mundo de merda. Às crianças, e particularmente às dos países onde vigora o autocratismo seja ele burguês, socialista, católico ou islâmico, deu-lhes Deus a Ideologia desde que se sentam ao colo da mãe ou nos bancos de escola até à urna (não a do voto quando adultos mas a que lhes é vendida quando partem para o Nirvana, a terra a dar-lhes por cima dos ombros deslocados). Deus é um mito e uma aberração. Uma monstruosidade criada pelos poderosos, teólogos ou ideólogos, ao serviço exclusivo da economia e da finança. O Deus dos estalinistas, o Deus dos trotkistas, o Deus dos eco-fascistas e dos falsos libertários - um Deus para todos os gostos e orientações. O Deus dos burgueses e dos ricos, dos antigos e dos novos. O Deus dos islâmicos uma outra aberração. Ao fim de séculos consegue juntar milhões de assassinos e transformá-los em mártires e heróis titânicos. Um miúdo qualquer com uma bomba à cintura consegue fazer com que mudemos o sentido do nosso voto e preenche-nos os sonhos com a tinta vermelha com que enche as suas veias de ódio.

A proporção do Divino foi dada não por Deus mas pelos artistas, que souberam usar a paleta, o lápis, o carvão, o óleo, o acrílico e sobretudo o poder crítico e demolidor da sua Palavra. Os tiranos curvaram-se não a Deus mas aos seus artistas que entretanto procuraram liquidar fosse pelo fuzilamento ou (na impossibilidade desse método de excelência), pela aquisição da sua consciência ou do produto do seu labor. Para matar definitivamente os artistas os tiranos deram-lhes benesses, sobremesas multicôres, casas de campo e uma pequena nota nos jornais diários. Foi quanto bastou.

Os democratas-tiranos, ao contrário dos antigos tiranos autocratas, em vez de venerarem Deus ou os artistas passaram a adorar outros deuses, os deuses do futibol, uma prática que consiste em colocar onze jogadores contra outros onze enquanto uma slot-machine vai despejando dinheiro nos bolsos dos respectivos donos, donos dos jogadores e dos que a eles entregaram a alma e o resto e que assistem obdientemente a essas práticas circenses.

Deus é uma boa merda. E a terra sem amos não precisa de outros.





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a chave e a fechadura inexistente, 5:20 p.m.

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