O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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quinta-feira, julho 19, 2007

Diálogo do nenúfar carnivoro
do
Nordeste do Kansas
(cadáver esquisito)


(Mário Cesariny e Miguel de Carvalho, Fevereiro de 2007 - foto-montagem digital de Carlos Martins)


("Diálogo do nenúfar carnívoro do Nordeste de Kansas" - Cadáver Esquisito de Mário Cesariny e Miguel de Carvalho, versão impressa em Fevereiro de 2007)


Mário Cesariny - Tenho muitos males em cima. E você?

Miguel de Carvalho - O amor serve-me de nível e sobre ele todos os males se fundem.

Mário Cesriny - Parece que na Nicarágua há um lago onde as pessoas vão deitar os males de que sofrem. Conhece?

Miguel de Carvalho - Sempre que o silêncio se apressa num encontro tempestuoso, visito esse lago que como diz fica para o lado de lá, atrás dos mastros-astro. E o Mário visita-o com regularidade?

Mário Cesariny - Só lá fui uma vez e vi um mendigo cego que recitava em voz alta trechos do Testamento Velho. Depois disso tirava do bolso uma maçã que cortava cuidadosamente em 4 partes. Metade dos quais lançava ao lago e a outra metade comia-as. Quando isso se sucedia, costumava aparecer o tio Sanches, figura muito popular na Nicarágua, dado que não tinha olhos e ainda lhe faltava uma perna.

Miguel de Carvalho - Sim, lembro-me que esse lago tinha nenúfares submersos com as raízes fora d´água. Sobre as raízes pendiam olhos maduros e silenciosos. Creio que percebo agora o que me conta acerca deste mendigo cego. Parece-me também que alguém lhe contou acerca do poder curativo desses nenúfares, os tais da Nicarágua. O grande lago Nicará sem água.

Mário Cesariny - Parece que esses nenúfares tinham grandes poders curativos especialmente entre as classes eclesiásticas e no carnaval.

Miguel de Carvalho - Então quem era o mendigo? Será um padre disfarçado em...

Mário Cesariny - ...Ostra.

Miguel de Carvalho - Agora quero acreditar que a Vénus de Boticelli apareceu nesse lago da Nicará sem água e sobre uma ostra e não dentro duma vieira (da silva) como nos querem fazer acreditar.


Mário Cesariny & Miguel de Carvalho
Lisboa, 25 de Outubro de 2006




Texto inédito apresentado na reunião surrealista "UM POSTAL PARA MÁRIO CESRINY - VIAGEM A ARCTURUS", na cidade de Estremoz em 24 de Fevereiro de 2007

tiragem de 100 exemplares, numerados e autografados por miguel de carvalho


Nota:
Um dos exemplares (o 84º de uma tiragem de 100), foi oferecido posteriormente e já depois do falecimento de Mário Cesariny, por Miguel de Carvalho a Carlos Martins, com a seguinte dedicatória "para o carlos martins este diálogo de um nenúfar carnivoro do Nordeste do Kansas, em tempo de secura de cadáveres esquisitos e tudo do seu Miguel de Carvalho". Aproveito para daqui enviar ao Miguel, um forte abraço de simpatia e agradecimento.




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a chave e a fechadura inexistente, 7:58 p.m.

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