O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação
Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia.
Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.
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cadaveresquisito@alternativa2000.org
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terça-feira, maio 08, 2007
A memória dos poetas não se honra à chapelada
São em geral os que ficam ainda por algum tempo que se preocupam demasiado com a aquilo a que chamam a "preservação da memória" dos poetas desaparecidos. Mas a preservação da memória é uma coisa subjectiva, existe ou não na mente das pessoas, dos amigos ou conhecidos do poeta ou não existe e desaparece mesmo. Ficam é certo as palavras ditas mas não fica o exemplo, não fica o essencial e o mais profundo da obra do mesmo, em muitos casos a sua própria vida e vivência, na intimidade e com os outros.
O que a memória dos poetas não precisa mesmo é de chapelada, honrarias, nomes de rua, estátuas e outras distinções que juntam sempre na campa ou jazigo (quando não é panteão), alguns políticos de circunstância e alguns nomes da cultura sempre ávidos em preservar o verbo do poeta mas não a sua acção. O povo, "o nosso povo de poetas", esse não vivencia o poeta e no dia seguinte esquece-o, se é que alguma vez ouviu falar dele.
Do poeta devemos tomar a sua poesia escrita mas também e sobretudo a sua poesia vivida. E dessas duas formas de intervenção poética (a da palavra e a da acção), o poeta espera que as tomemos no espírito e nas nossas mãos e continuemos aquilo que foi o seu combate. É assim que o poeta não desaparece da nossa memória e não com louvaminhas, visitas ao cemitério em horas de ponta (e mola?) para que os media nos vejam lá a tirem a fotografia. Ou que os amigos do poeta nos vejam e falem disso nas suas memórias.
Critiquemos também o poeta naquilo em que é preciso assinalar como defeito ou o desacerto do tiro na hora de apontar ao drago. Hoje os surrealistas criticam Dali por ter sido um avida-dollars. Mas Dali não foi um caso isolado e muitos dos poetas cobrem-se hoje de honrarias e dinheiro, tal como Dali o fazia. Fazem fundações com os amigos de partido, aqueles a que ajudaram a eleger, dando a sua face e também a sua Palavra. O avida-dollars tornou-se um lenço ou uma gravata para usar ao pescoço de muitos poetas e artistas, e alguns são surrealistas ou foram-no.
Uma das setas mais afiadas do Surrealismo era e é a sua capacidade de crítica e auto-crítica ("a Crítica é a razão da nossa permanência", escrevia um poeta surrealista da primeira geração). Não se entenderia pois que aos surrealistas fosse fechada essa porta que comunica com o exterior e do qual o poeta, o artista, o cidadão libertário que se identifica com o Surrealismo, estivesse imunizado de qualquer ataque ou crítica por parte dos outros. Não é por acaso que a maioria de 99,9% pensa ainda como se pensava poucos anos após a formação do primeiro grupo surrealista em Portugal - o Surrealismo é para essa imensa maioria, apenas, repito, apenas, uma estética e um estilo literário como tantos outros. Ou as palavras não foram tão sábias quanto isso ou as pessoas de um modo geral têm o espírito penhorado e não se aperceberam daquilo que aqueles senhores e aquelas senhoras de insólito dizer, queriam de facto reclamar.
E após os anos 60 e "depois de Abril", a coisa piorou ainda. Das palavras aos actos nem pensar. Ataques ao Poder e aos poderes instituídos "democráticos", combate de rua, nem pensar! A "Revolução Surrealista" gerou também em Portugal (mas não só), os slogans dos actuais cartazes publicitários, um dos intrumentos de manipulação mais hábeis. O "Há mar e mar, há ir e voltar", escrito por Alexandre O´Neil, um poeta "surrealista" de primeira geração (o cartaz com a sua frase foi um dos cartazes publicitários de vulto na nossa praça), tornou-se hoje mote e referência para quase todos os publicitários que usam a "surrealidade" para venderem os produtos dos seus donos. A "Revolução Surrealista" precisava de ter saído mais à rua para enfrentar os inimigos que dizia combater. E não foi isso que fez.
O que a memória dos poetas não precisa mesmo é de chapelada, honrarias, nomes de rua, estátuas e outras distinções que juntam sempre na campa ou jazigo (quando não é panteão), alguns políticos de circunstância e alguns nomes da cultura sempre ávidos em preservar o verbo do poeta mas não a sua acção. O povo, "o nosso povo de poetas", esse não vivencia o poeta e no dia seguinte esquece-o, se é que alguma vez ouviu falar dele.
Do poeta devemos tomar a sua poesia escrita mas também e sobretudo a sua poesia vivida. E dessas duas formas de intervenção poética (a da palavra e a da acção), o poeta espera que as tomemos no espírito e nas nossas mãos e continuemos aquilo que foi o seu combate. É assim que o poeta não desaparece da nossa memória e não com louvaminhas, visitas ao cemitério em horas de ponta (e mola?) para que os media nos vejam lá a tirem a fotografia. Ou que os amigos do poeta nos vejam e falem disso nas suas memórias.
Critiquemos também o poeta naquilo em que é preciso assinalar como defeito ou o desacerto do tiro na hora de apontar ao drago. Hoje os surrealistas criticam Dali por ter sido um avida-dollars. Mas Dali não foi um caso isolado e muitos dos poetas cobrem-se hoje de honrarias e dinheiro, tal como Dali o fazia. Fazem fundações com os amigos de partido, aqueles a que ajudaram a eleger, dando a sua face e também a sua Palavra. O avida-dollars tornou-se um lenço ou uma gravata para usar ao pescoço de muitos poetas e artistas, e alguns são surrealistas ou foram-no.
Uma das setas mais afiadas do Surrealismo era e é a sua capacidade de crítica e auto-crítica ("a Crítica é a razão da nossa permanência", escrevia um poeta surrealista da primeira geração). Não se entenderia pois que aos surrealistas fosse fechada essa porta que comunica com o exterior e do qual o poeta, o artista, o cidadão libertário que se identifica com o Surrealismo, estivesse imunizado de qualquer ataque ou crítica por parte dos outros. Não é por acaso que a maioria de 99,9% pensa ainda como se pensava poucos anos após a formação do primeiro grupo surrealista em Portugal - o Surrealismo é para essa imensa maioria, apenas, repito, apenas, uma estética e um estilo literário como tantos outros. Ou as palavras não foram tão sábias quanto isso ou as pessoas de um modo geral têm o espírito penhorado e não se aperceberam daquilo que aqueles senhores e aquelas senhoras de insólito dizer, queriam de facto reclamar.
E após os anos 60 e "depois de Abril", a coisa piorou ainda. Das palavras aos actos nem pensar. Ataques ao Poder e aos poderes instituídos "democráticos", combate de rua, nem pensar! A "Revolução Surrealista" gerou também em Portugal (mas não só), os slogans dos actuais cartazes publicitários, um dos intrumentos de manipulação mais hábeis. O "Há mar e mar, há ir e voltar", escrito por Alexandre O´Neil, um poeta "surrealista" de primeira geração (o cartaz com a sua frase foi um dos cartazes publicitários de vulto na nossa praça), tornou-se hoje mote e referência para quase todos os publicitários que usam a "surrealidade" para venderem os produtos dos seus donos. A "Revolução Surrealista" precisava de ter saído mais à rua para enfrentar os inimigos que dizia combater. E não foi isso que fez.
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Etiquetas: a memoria dos poetas, o surrealismo e um movimento de revolta e nao uma estetica, os poetas nao se honram a chapelada, poesia e vida
a chave e a fechadura inexistente, 1:05 p.m.


