O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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domingo, abril 01, 2007

Hoje no dia das mentiras



Termina a exposição "Um Postal para Mário Cesariny: Viagem a Arcturus", realizada em Estremoz, no respectivo Museu Municipal Prof. Joaquim Vermelho, sob direcção do Dr. Hugo Guerreiro.

Cesariny contudo continuará numa rota de "colisão" constante com os nossos sonhos e utopias, os nossos desejos e desagrados, o nosso desencanto de viver num país, numa sociedade de trapaça e lado a lado com um Estado que a todo o momento entra nas nossas casas como antes entrava a polícia e a propaganda do regime anterior. Não é necessário lembrar que o dia em que se mente "oficialmente" e sobretudo se mente manipulando o espírito, tornando escravos e alienados milhões de seres que, à partida, nasceram livres e com alguma inocência, é um dia como outro qualquer, um dia igual a todos os outros, numa sociedade em que uns mentem para dominar e outra quase metade mente para sobreviver. Os mais oprimidos mentem para enganar a má sorte e o destino que lhes "conferiram"; os mais afortunados, os mais fortes e cujo direito à liberdade é constitucionalmente aceite, os que exploram os mais fracos, bem ainda como os que a oportunidade saloia, muito mais que o engenho próprio, lhes proporcionou uma vida menos atribulada pelo infortúnio económico ou social, esses mentem para perpetuar o seu status e a ordem (re)estabelecida.

Cesariny continuará pois entre nós, mesmo que uma televisão qualquer nos venha testemunhar que o poeta cedeu a sua herança a uma instituição cuja história, o menos que se pode dizer, é que foi sempre feita de pesadelo. E nunca houve "meninos" inocentes. Quem lá esteve sabe do que fala.



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a chave e a fechadura inexistente, 11:09 a.m.

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