O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação
Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia.
Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.
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cadaveresquisito@alternativa2000.org
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quinta-feira, março 15, 2007
A visita de Inácio Matsinhe

Registamos aqui com uma alegria muito especial, a visita ao nosso blog do companheiro e amigo Inácio Matsinhe, actualmente a residir no Maputo, Moçambique.
O "Caju que vai de mota", deixou-nos também um comentário muito interessante sobre o nosso posting "O banquete dos cadáveres nas exéquias de Cesariny", o qual transcrevemos de seguida:
MORREU CESARINY:
Li aqui no Maputo essa notícia que me custou acreditar.Mas para morrer basta estarmos vivos.
Cesariny foi meu grande amigo, conselheiro nas injusticas que sempre os donos do poder me fizeram.
Muitas vezes estive em casa dele grande amigo da irmã que tambem já morreu.
Lembro-me na brincadeira que me dizia:- se a minha mana fosse jovem:- tu eras o meu cunhado.- esta era a outra parte surreal do CESARINY.
Fui um dos faltosos no BANQUETE DOS CADAVERES NAS EXEQUIAS DE CESARINY.
Tomei conhecimento do BANQUETE duas semanas depois, nao dava nem para ir apanhar os restos do cadáver no banquete. Enfim...A lei da natureza e esta nada mais temos a fazer.
Bom descanso meu amigo Cesariny que continues a incomodar outros cadaveres por aí. Até breve.
INACIO MATSINHE
MAPUTO/MOZAMBIQUE
Ao Inácio que tivemos oportunidade de conhecer e com ele conviver em sua casa (recordas-te, estivemos lá um dia com o Mário e a minha mulher, a Ana Santos, então actriz no Teatro Ibérico?), deixamos aqui um abraço muito apertado.
Tanto eu como a Ana temos muitas saudades tuas, de estar por cá contigo, enfim... A pouco e pouco a memória também nos vai corroendo. São os traços da Deusa que sabes, até me custa a pronunciar o filha da puta do nome dela. Começa a Gaja por nos provocar pequenos esquecimentos ("as chaves, onde pus eu as chaves?", enche-nos os intestinos de gazes que pioram o chamado efeito de estufa e depois, enquanto o Diabo esfrega um olho (não o dela infelizmente), zás, espeta conosco num lar de idosos, numa misericórida qualquer onde só nos resta para consolo um belo cu de freira. De preferência muito devota. Mas ali duramos pouco por causa das emoções que nos provocam, não só o cuzinho da freira mas a merda dos canais que pôem a correr e nos obrigam a ver na televisão portuguesa. Se ao menos fosse o do Hustler!
Mas o lar de idosos é só a preparação como sabes, querido Inácio. Depois disso é que vem a pateada, o "bater a bota", o "vais desta para melhor". Conosco no "The End" vão geralmente algumas pessoas mais próximas e sobretudo aqueles que sabem que puderam contar conosco, de uma forma ou de outra. Mas a maioria fica a ver telenovelas e a entrar nelas que é o que fazem a maioria dos actors-studio de hoje e de cá. E assim ficam bem. Ganham que se farta e ficam para a imortalidade das SICs e RTPs. São os que morrem contentíssimos pois passaram o tempo a escrever, escrevem dúzias de livros, também pintam, são muito conhecidos, que maior felicidade não há...
Abraço Grande
Carlos Martins
Post Scriptum: Foi pena que não tivéssemos o teu contacto no Maputo para que pudéssemos contar contigo na exposição "Um Postal para Cesariny...", a decorrer em Estremoz até 1 de Abril. Terias sido a presença africana que nos faltou. Tentaremos reparar a lacuna numa próxima oportunidade (que provavelmente já não haverá pois o Surrealismo não tem passagem de modelos e dá própriamente um lugar no panteão dos escritores, isto está difícil pá até para arranjar um lugarzinho na mortuária). Lembras-te do "The Fearless Vampire Killers" que em português se chamou "Por favor não me morda o pescoço" do Roman Polanski? Recordas-te daquela sequência em que o pobre vampiro judeu tem de andar com o caixão às costas à procura de um lugar disponível e só lhe resta uma cave húmida? Parecemos nós quando batemos a bota. Se não temos compadres na política ou na religião, estamos tramados. Nem nos reconhecem.

("O Carnaval dos andróginos", pintura de Inácio Matsinhe)
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a chave e a fechadura inexistente, 1:07 p.m.


