O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Os problemas alfandegários não páram


Republica automatons, 1920
George Grosz


As obras destinadas à exposição surrealista "Um Postal para Mário Cesariny" (1), a realizar no Museu de Estremoz, de 4 de Março a 1 de Abril, continuam a ficar retidas nas alfândegas portuguesas. É verdade que são "bombas" mas apenas no sentido em que toda a actividade surrealista é libertária e subversiva (mesmo quando expressa através de um "simples" objecto de arte, um poema, etc.). Mas a subversão é sobretudo do espírito com ele próprio, a "perturbação" criada é dirigida àquele que ainda pode ver. André Breton escreveu
"Querida Imaginação, o que eu amo mais em ti, é que não perdoas".

Na contabilidade dos burocratas alfandegários desta democracia portuguesa que deixa passar terroristas pelo seu território(2), a conta soma e segue: foram já retidas uma obra serigráfica do pintor surrealista canadiano Gregg Simpson e várias pinturas de artistas norte-americanos, em particular de Jack Dauben e Thom Burns. Ou seja, a pintura de Jack Dauben que apresentamos mais abaixo, está lá retida, são precisas várias diligências, formulários, etc. para a soltar. E como todos podem vêr, não parece constituir qualquer perigo para a segurança nacional. Não parece, mas no entender das alfândegas e do estado português que manda nelas, é.

Veremos como tudo se vai resolver mas o insólito e assinalável quanto à mediocridade que se manifesta ainda para cá da raia espanhola, é mesmo a retenção dessas obras nas alfândegas portuguesas. Há países que deixam entrar tudo menos mercadoria estragada, drogas ou explosivos. O nosso não deixa passar arte mas tem um filtro esburacado onde passa tudo o resto.

O Dr. Hugo Guerreiro, Director do Museu Municipal de Estremoz, tem sido incansável, tentanto desbloquear a situação. Mas a máquina administrativa (tal como a da justiça), funciona mesmo! E todos nós vimos de que forma. Imaginemos o que seria se não funcionasse!

(1) Apesar da maioria dos seus membros serem ou terem estado ligados ao Movimento Surrealista Português e a outros grupos surrealistas espalhados pelos vários continentes, há também a participação de alguns artistas e poetas, não directamente associados ao Surrealismo.

(2) Os exemplos não são escassos e um deles passou num dos canais televisivos portugueses: um jornalista foi capaz de passar por uma das fronteiras, sem ser revistado e contudo tinha um simulacro de explosivo no porta-bagagens! E segundo se leu nos jornais, o grupo islamo-fascista que tentou fazer explodir a Audiência Nacional de Madrid, tinha vindo de Portugal!.

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a chave e a fechadura inexistente, 1:51 p.m.

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