O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

email:
cadaveresquisito@alternativa2000.org

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

A Mário Cesariny
Uma Carta Aberta dos surrealistas turcos


Street Turkish Surrealists, Graffitis in Lisbon


DA DESORDEM À HARMONIA,
(Em plena rua, uma carta aberta a Mário Cesariny)

Esta carta da Turquia dirigida a Mário Cesariny escrita algures numa das ruas da Turquia.
Escrita nos novos ventos que começaram a explodir com a vontade de sobreviver, a "joi de vivre", a quebra de tabus, a recusa em obedecer à autoridade. Sentimos que o novo século finalmente chegou às nossas mãos, chegou-nos com os novos ventos, ventos que sopraram ao longo das nossas ruas turcas.
Em nós foi assim que tudo começou: primeiro um fanzine a que chamámos "Disordered". Tudo partiu de Izmir e Rafet Arslan. Iniciámos com Ali Kartal, ele que brinca e joga com as palavras; temos raparigas na rua piscando os olhos com as suas mãos cheias de letras e que desejam criar novos arco-íris: Gözde Genç e Ayşe Özkan, os arco-íris que atingem Istambul,

e da cidade se lançam sobre os jovens Bora Akıncıtürk, Erman Akçay, Çağrı Küçüksayraç, Tunç Dindaş, que pintam e desenham desordenadamente; nunca deixando de produzir as suas criações para sentir que estão vivos, a rua acariciando-os e simultaneamente ameaçando-os.
E eu, Cemal Akyüz, residente em Ankara, transporto na mão esta nossa carta colectiva.

Somos a Geração X, a Geração Y, rapazes da zona ácida, da geração Milupa, da geração Prozac, custeamos os nossos próprios livros, COLOCAM-NOS etiquetas - a arte é para enriquecer os leiloeiros e colecionadores, IGNORAM-NOS. Mas não aceitamos que nos classifiquem de geração perdida, quando os nossos pais nasceram, este país chamava-se Elsinore, alguns vivem ainda felizes em Elsinore, por conseguinte acham que nos perdemos.

Oh meu
começámos agora a descobrir-nos
a saber o que somos e quem somos
ainda que caóticamente
virámo-nos para dentro do Vento mais forte.
Surrealistas Turcos no Século XXI
com profundo Amor
demolindo as margens de um país chamado
Mário Cesariny.


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a chave e a fechadura inexistente, 6:46 p.m.

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