O pensamento dominante continua a considerar o Surrealismo como um movimento estético, censurando a sua componente de intervenção em todos os planos da Vida e da Sociedade, numa perspectiva libertária e emancipadora. Por outro lado considera-se o Surrealismo como algo históricamente ultrapassado, como um "fóssil cultural" (como denunciou recentemente Guy Ducornet no seu livro "Os parasitas do Surrealismo"). E contudo, a intervenção surrealista nunca deixou de se bater contra os exploradores do Espírito e contra todos aqueles que económica ou socialmente exploram o Homem, impedindo-o de respirar LIVREMENTE!!!
O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

O Cadáver Esquisito à mesa de dissecação

Dádá e o Surrealismo de visita a Portugal com paragem na Universidade do Minho e S. Iria de Azóia. Uma maçada morrer de tuberculose e tão jovem.

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cadaveresquisito@alternativa2000.org

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

A arte como um perigo para a segurança nacional?


"A Gruta do Druída" de Jack Dauben, EUA.

Algumas obras destinadas à exposição "Um Postal para Cesariny" estão a ser retidas na alfândega portuguesa. Ou seja, aqueles que deixaram passar o assassino de Theo Van Gogh, a caminho da Holanda, aqueles que não lhe perguntaram absolutamente nada que o impedisse de matar aquele querido companheiro cujo único crime foi o de denunciar as humilhações sofridas pela mulher no chamado "mundo islâmico", estão agora tão zelosos em não deixar passar algumas obras surrealistas (como as de Jack Dauben, Thom Burns e outros). Tal como no passado, o Surrealismo que intervém activamente na vida (sucedeu por exemplo, com as pinturas eróticas de Willem Freddie e tantos outros), é ainda uma grande maçada e inconveniente para certos estados e respectivos controlos alfandegários. Passa o "clandestino" islâmico mas não passa o objecto de arte ou uma simples loção de barbear.

Recordemos a Exposição Internacional "O Surrealismo e a Pintura Fantástica", realizada em Lisboa, no Teatro Ibérico e na SNBA, em 1984, dez anos depois do 25 de Abril. Nessa altura também a alfândega portuguesa fez parar algumas obras. A diferença porém em relação aos tempos que vivemos é que já não há Presidentes da República que sejam sensíveis a isto que é tão simples - as obras de arte retidas na alfândega serviriam melhor o próprio país se estivessem deste lado e não fossem impedidas de entrar. De sair, ainda vá que não vá... Ou não estaria o património artístico português mais bem servido se elas pudessem entrar? Ou serão cartas explosivas?

Entretanto e para que não desespere pois este país vai continuar assim por largos séculos, ouça a magnífica voz de Stina Nordenstam que nos lembra o som feito de silêncios perenes de velhos continentes desparecidos, a Atlântida e sobretudo a Ilha de Nefertite, desaparecida algures nos desertos de Amarna. Deixe a voz de Stina entrar no seu corpo, não exactamente como nas terapias de grupo tão do agrado de certos gurus eco-espiritualistas agora convertidos ao ambientalista "espectacular" Al Gore, mas como se estivesse a fornicar com a sua namorada adolescente, ou a fumar um Gauloises numa esplanada de Lyon ou de Nanterres;


(Clique no botão verde; Click on the green button the hear the song)




(This song is dedicated to Jack Dauben, Thom Burns, Terri Engel, and Timothy R. Johnson)

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a chave e a fechadura inexistente, 7:15 p.m.

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